Casey Stoner: Uma entrevista com o Campeão do Mundo

Segunda, 17 Outubro 2011

O Campeão do Mundo de MotoGP de 2011 fala com o motogp.com após a vitória em casa, em Phillip Island, que lhe valeu a conquista do segundo ceptro da categoria rainha.

Parabéns Casey, como é que te sentes como Campeão do Mundo de MotoGP de 2011?
“A sensação é muito boa! É algo que esperava há algumas corridas, sabíamos que tínhamos a possibilidade de o fazer aqui, mas as hipóteses eram reduzidas. O Jorge tem sido muito consistente e sólido esta época e finalmente falhou esta manhã. Não foi uma boa maneira de terminar, com uma lesão como a dele, mas a verdade é que nos abriu a porta para vencermos o Campeonato hoje e conseguimos fazê-lo, com uma vitória, em casa, no meu aniversário... é mesmo especial.”

Quão especial é por ter sido em casa?
“É claramente algo que nem todas as pessoas podem fazer, no seu Grande Prémio caseiro, no dia de aniversário e vencer pela quinta vez consecutiva, tudo junto no mesmo dia é algo muito especial e estou certo que ficará nas nossas mentes durante muito tempo.”

Este é o teu segundo título Mundial de MotoGP, com uma espera de quatro anos desde o último, como é que este se compara ao de 2007?
“Este tem um sabor claramente mais especial. Em 2007 as pessoas tentaram reduzir um pouco o meu papel e tirar o crédito à equipa e a mim pelo feito conseguido. Desde então, especialmente este ano, penso que as pessoas viram o que temos para dar, aquilo de que somos capazes e este ano já somei 11 poles e nove vitórias até ao momento; tem sido uma época fantástica, um grande muito obrigado à minha equipa, a todos, muito obrigado à Repsol Honda por me dar esta oportunidade.”

Há algum momento ao longo da época que consideres como chave, ou de viragem no Campeonato?
“Penso que há pessoas demais a olharem para momentos chave ou de viragem. Creio que a época progride como progride e o único ponto de viragem é quando o Campeonato termina. Julgo que não houve nenhum ponto de viragem e qualquer coisa do género durante esta época e não os encontro em qualquer outra das minhas temporadas; só temos de manter a concentração e, aos poucos, juntar vitórias e pódios, foi isso que nos deu a margem que temos neste momento. Recuperar de tão poucos pontos no início da época é algo que nos deixa muito satisfeitos, reduzimos o atraso e invertemos a situação e depois mantivemos o controlo a partir desse momento até agora.”

Qual foi a vitória mais saborosa desta época?
“Diria que foi Laguna Seca. A primeira corrida no Qatar foi fantástica, a primeira corrida na moto, mas parece-me que as pessoas me consideram uma espécie de especialista do Qatar, pelo que penso que Laguna este ano, quando estávamos em baixo e fora da corrida e ninguém esperava que fossemos competitivos, mas estivemos lá; esperámos pacientemente ao longo da corrida, tentei aprender alguns truques e tentei rodar com a moto de forma algo diferente. Depois encontrei a minha velocidade e decidi atacar e consegui vencer, o que fez dela a minha melhor vitória, de longe.”

Relata-nos a corrida aqui na Austrália. Construíste boa vantagem e quanto o tempo começou a mudar, o que é que te passou pela mente quando começou a chover?
“No início da corrida estava tudo bem. Penso que teríamos lutado um pouco mais se o Jorge estivesse a correr, creio que ele estava muito mais competitivo no seco e estava a rodar mesmo bem neste fim-de-semana, pelo que talvez tivéssemos de puxar um pouco mais no início da corrida. Gerimos a vantagem e estávamos a conseguir uma boa margem sem arriscar nada, tudo estava confortável e depois surgiu a chuva. Quando caíram as primeiras gotas limitei-me a gerir a vantagem e tentei mantê-la e consegui, mas depois quando começou a chover forte foi mais complicado, mas a pista secou depressa. Mais uma vez, não tinha certeza de quanto devia puxar e fiz tudo para chegar ao final e vencer.”

Sabemos, pelo que tens dito em cada GP desta época, que te tens concentrado corrida a corrida, mas houve algum momento na temporada em que o Campeonato entrou na tua consciência?
“Creio que até certo ponto foi em todas as corridas. Fica-nos na mente e leva-nos a puxar um pouco mais. Dito isto, quando as coisas nos correram muito mal terminámos em terceiro, pelo que tivemos de lutar com isso, o que por vezes não soube bem, mas podíamos ter tido dias piores, pelo que aceitámos esses pontos para o Campeonato e depois seguimos para a corrida seguinte em busca da vitória.”

Quais eram as tuas expectativas no início da época?
“Penso que não tinha expectativas, não olho para a época como um todo, olho para ela corrida a corria. Se olharmos para o final da temporada e estamos no início não é a melhor forma de começar, pelo que levamos as coisas corrida a corrida, tentar somar o máximo de pontos possível e no princípio do ano perdemos muitos pontos que tivemos de recuperar. Durante algum tempo essa foi a principal preocupação, ir para a pista vencer o maior número de vezes possível, somar o máximo de pontos e depois, por vezes, quando as coisas não estavam bem ainda tivemos de nos contentar com posições que não nos deixavam satisfeitos. Mas de forma geral fizemos um grande trabalho esta época e conseguimos defender a vantagem no Campeonato.”

Parecias muito tranquilo, calmo e concentrado ao longo da época, mas houve momentos em que tenhas começado a sentir pressão?
“Para ser franco, não muito. Creio que a pressão só surgiu depois do Grande Prémio do Jerez, com tão grande atraso de pontos no início, e depois fomos para Portugal e lutei, não tive grandes sensações nessa corrida e lutei um pouco com a lesão nas costas e terminámos em terceiro, mas não ficámos muito contentes com o ritmo, pelo que penso que foi nesse momento que começámos a olhar em frente e tudo foi bom. Sabendo o quão fortes e consistentes estavam o Dani e o Jorge sabíamos claramente que ia ser difícil recuperar os pontos em relação ao Jorge ou conseguir a vantagem – com o Dani a tirar-lhe pontos a ele ou a mim. Mudou a forma como o Campeonato decorreu. Mas na maioria das vezes conseguimos terminar no topo e isso foi fantástico par nós.”

Cresceste a ver o Mick Doohan, como é que te sentes ao emular o que ele fez com as mesmas cores?
“Era um sonho que tinha, rodar pela Repsol Honda e seguir os passos do Mick e correr por esta equipa. Ele venceu o Campeonato no primeiro ano que correu com estas cores e eu também. Conseguimos dar a 100ª vitórias em Grandes Prémios à Repsol Honda este ano e foi fantástico para nós – muito feitos, marcos e espero que continue assim. Mas temos outra vez muito trabalho.”

São muitos os factores que contribuem para a conquista do título Mundial, mas alguns que possas destacar desta época?
“Penso que a chave é não pensar muito à frente, nem muito ao lado. Temos apenas de olhar para o conseguimos no dia, ou no fim-de-semana; podemos traças metas elevadas, mas não distanciar muito os passos entre si, foi o que fizemos este ano e caminhámos passo a passo e chegámos lá.”

O teu aniversário e o Campeonato do Mundo no mesmo dia. Como é que vais festejar?
“Desde 2001 que tenho os meus anos a bater com o GP da Austrália, pelo que estou muito habituado. Mas vencer tudo, o Campeonato, quinta corrida consecutiva, no meu dia de anos, no GP em casa, não podia ser melhor e estou certo que vou gostar da festa!”

Fotos:

Abrir mais notícias

Últimas notícias

  • MotoGP™
  • Moto2™
  • Moto3™
Publicidade
Paddock Girls MotoGP VIP VILLAGE™