Casey Stoner avalia a 1000cc

Sexta, 24 Fevereiro 2012

O Campeão do Mundo de 2011 partilha as suas opiniões sobre a 1000cc da Repsol Honda semanas antes do início da época de 2012, ano em que a classe de MotoGP™ regressa a máquinas mais potentes.

Qual é a diferença da 1000cc para a 800cc à entrada, a meio e à saída da curva?
“Bem, a diferença entre a 1000cc e a 800cc não é muita, apenas um melhoramento que fizemos com a Honda, a estabilidade em travagem. A distância entre eixos talvez seja um pouco diferente e quando travamos temos um pouco mais de estabilidade em curva. A traseira não quer saltar tanto e podemos travar muito mais forte. Altera os pontos de travagem em menos do que esperávamos porque a nossa moto melhorou muito nesse ponto. Diria que a entrada em curva é exactamente a mesma. A partir desse ponto é tudo muito similar. Creio que foi no chassis que melhorámos mais. O peso da moto é exactamente o mesmo, a forma como vai reagir é semelhante, ou até a mesma.”

O peso é o mesmo?
“Só recentemente é que decidiram adicionar quatro quilos, mas penso que o peso extra não provoque muitas alterações. Se fossem 20 quilos talvez fosse diferente. Nesta matéria é muito parecida com a 800cc. A única coisa diferente são as sensações que o chassis dá. E à saída da curva somos capazes de usar a potência muito melhor, conseguimos mais binário do motor e temos muito mais controlo com o motor por causo do binário e controlo extra, a moto quer sair da curva durante muito mais tempo antes de começar a patinar.”

Podes ser menos preciso com a 1000cc e ainda assim safares-te?
“Diria que não. De certa forma, e por causa do binário extra, é fácil errar na curva. Mas a 800cc já tinha muita potência. Continuamos a ter de rodar com a moto de forma similar, com muita exactidão. Neste momento estão todos a tentar limar arestas.”

Perdoa menos que a 800cc se cometeres algum erro?
“Não, creio que é muito similar. Com as 800cc levávamos um pouco mais de velocidade em curva. Com as 1000cc, especialmente nas pistas com caixa de velocidades curtas, quer fazer muitos cavalinhos. Por isso curvam de forma um pouco mais dura e mantemos um pouco mais de acelerador a meio da curva. Mas em pouca medida. Ainda as podemos pilotar da mesma forma. Estive a ver as linhas de alguns dos outros e a olhar para algumas marcas pretas. Ainda estão a usar a pista toda. Eu estou a usar menos pista porque estou contente com esse bocadinho extra de binário. Mas de forma geral podemos rodar com as duas da mesma forma.”

Já ganhaste um título no passado. É mais difícil vencer um título, ou defender-lo?
“Creio que não há defesa de um título. Não se inicia a época com vantagem de pontos. Por isso, não penso que haja defesas de títulos. Temos um número diferente na moto, caso o queiramos, mas todos voltam a começar do zero. Em particular este ano; vamos passar das 800cc para as 1000cc, pelo que não há semelhanças com o ano passado, excepto o facto de estarmos a fazer correr pneus em motos e estarmos a fazer o mesmo tipo de campeonato, mas agora é uma categoria totalmente nova. Por isso, não creio que se vá para uma temporada a tentar defender o ceptro. Creio que se vai tentar a conquista de mais um.”

No ano que se seguiu à conquista do teu primeiro campeonato tiveste vários problemas que tornaram mais difícil a manutenção do número 1.
“Penso que não comecei bem com a moto de 2008. Lutámos muito com ela no início da época. Estávamos com muitos problemas e a tentar encontrar a tensão da corrente. Mas depois, no Estoril, saltou uma câmara e um flap, e uma questão de motor em Le Mans. Depois tivemos grandes problemas no final do ano com o meu pulso a cair aos bocados, mas a única coisa de que as pessoas se lembram é de eu ter perdido o título. Mas penso que demos muita luta tendo em conta o ano que tivemos. E creio que provei a todos que tínhamos todo o direito de voltar a ser campeão nesse ano, mas não se concretizou. O mesmo em 2009 – estávamos a liderar o campeonato outra vez quando comecei a ter o problema da lactose. Só em 2010 é que não tivemos desculpas. Não tivemos moto, não tivemos equipamento, não resolvemos as coisas suficientemente depressa. E as coisas não correram bem desde esse ponto. Mas no final da temporada, assim que resolvemos os problemas, mostrámos que ainda tínhamos velocidade e, mesmo aos comandos de uma moto que não nos deu o que queríamos, mostrámos a todos que o podíamos voltar a fazer.”

O Wayne Rainey disse que a cada campeonato que passava ele sentia que tinha de ganhar e que não havia como se contentar com o segundo lugar.
“Penso que este campeonato está a mudar muito. O Wayne era a bitola, pelo que não tinha nada que perseguir, mas creio que se podem sempre vencer mais corridas durante a época, temos sempre objectivos. Mas para mim, o problema é o caminho que o campeonato está a seguir e o facto de se estarem sempre a alterar as regras. Há sempre desculpas e não me parece que seja tanto sobre as corridas como era nessa altura e não se trata apenas de ir para a pista e rodar bem. Fico um pouco descontente com a direcção do campeonato, a forma como está a andar. Mas ao mesmo tempo continuo a ter objectivos que posso traçar e tentar cumprir, mas se não conseguir tenho de estar contente com a carreira que consegui até agora.”

Um dos problemas dele é que ao vencer tantas vezes a moto dele sofria poucos melhoramentos. Isso não parece ser uma problema com a Honda.
“Com esta equipa, cada opinião que dou sinto que é visto como motivação para tentarem melhorar. Com a Honda vemos que querem estar sempre a melhorar. Não querem ficar parados. Agora temos a 1000cc, já estamos a dar muitas opiniões e eles estão a tentar resolver todos os pequenos problemas.”

Em Laguna Seca tiveste uma das tuas mais frustrantes corridas de 2009 e no ano passado tiveste uma das tuas melhores lá.
“Penso que agora todos reconhecem que a corrida na Ducati não era tão fácil. Que talvez não fosse tão limpa como todos pensaram que era. Esfalfei-me nessa corrida e as coisas não funcionaram. Pouco depois esqueci-me disso, mas mais ninguém o fez. Por isso não é mais problema meu.”

A ultrapassagem que fizeste ao Jorge Lorenzo, com que antecedência a planeaste?
“Para ser franco, com algumas voltas de antecedência. Não num ponto exacto; apenas pensei que se a oportunidade surgisse não teria dúvidas em aproveitá-la. Fui sempre bom no último sector de Laguna – era rápido na Ducati. É tudo questão de ter a mudança certa para manter a frente em baixo porque é uma pista muito curta. Nas voltas que antecederam a manobra estava sempre a apanhar o Jorge nesse ponto. E pensei que se me aproximasse o bastante e ele cometesse um pequeno erro com a mudança seria o suficiente. E aconteceu. Se virem as imagens, verão que ganhei velocidade muito depressa, mas foi o facto de ele manter o cavalinho durante tempo demais. E isso permitiu-me aproveitar o embalo por fora.”

Há quem acredite que foi o ponto de viragem no campeonato? Concordas, ou não?
“Não, discordo totalmente. Há sempre pontos de viragem no campeonato. Basta deixar que cada corrida seja um ponto de viragem no campeonato. Há sempre momentos diferentes e só temos de os deixar fluir.”

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