Uma questão de tempo: Entrevista com Ben Spies

Terça, 17 Setembro 2013

O ano de 2013 é para esquecer para Ben Spies, que só alinhou em duas corridas do MotoGP™. O piloto da Ignite Pramac Racing, cujas lesões mais recentes foram contraídas em Indianápolis, fala em exclusivo com o motogp.com.

Depois de se ter queixado de muitas dores no peito na estreia do Grande Prémio das Américas enquanto ainda se ressentia dos efeitos de uma lesão no ombro contraída no ano passado na Malásia, Spies estava finalmente pronto para regressar em Indy – apenas para sofrer queda nos Treinos Livres e ficar de imediato fora de acção. O texano fala da recuperação, da frustração de não poder competir e trata de calar alguns rumores do paddock...

Como te sentes, em termos físicos?

Honestamente, agora está tudo muito melhor. Indy foi muito duro. Não há como descrever estes últimos nove ou dez meses. Também foi frustrante para muitas outras pessoas: para a Ducati e para os fãs, etc. Não estou a entrar numa de ‘tenham pena de mim’, mas creio que ninguém pode entender o quão frustrante é para um piloto. Mas faz parte do jogo. Voltei em Indy e estava a sentir-me bem. Foi a primeira vez que rodei de moto verdadeiramente a 100% e na verdade ainda estou a aprender a moto. Quando rodei no início da época nunca pude rodar a 100%, pelo que não compreendia a moto totalmente. Pensei que estávamos a fazer bom trabalho em Indy e depois, com um erro estúpido, caí sobre o ombro esquerdo. Apesar de ter sido uma queda lenta, foi um impacto muito forte e uma separação muito má.

Foi um grande azar. O que te passou pela mente quando te afastaste da moto?

Sabia, mesmo antes de parar, que tinha partido ou estragado algo no ombro. De início pensei que fosse a clavícula, mas depois vi que estava separado. Muitas pessoas, ainda hoje, dizem que foi deslocado, mas o diagnóstico foi uma separação de Grau 5. Isso é o pior que há. Tive uma separação de Grau 2, ou 3, há muito tempo no ombro direito e consegui correr com isso, mas com Grau 5 não há nada a fazer. Tive de ser operado. Depois de todas as outras lesões, o processo mental complicado... foi desmoralizador. É muito difícil de aceitar.

Então, de momento não é possível qualquer treino…

Nem pensar. É duro. Posso estar numa bicicleta reclinada, mas é tudo e só agora é que começou. Como costumo dizer, foi muito frustrante quando tive o acidente, mas depois no Centro Médico... os pensamentos que nos passam pela cabeça são de imediato a equipa, os fãs, todas as pessoas que esperaram e me ajudaram com a reabilitação, as pessoas em casa – todo o trabalho árduo de voltar. O médico com o qual trabalho em Dallas é o médico dos Dallas Cowboy (equipa da NFL). Ele estava num jogo, mas telefonou-me de imediato para preparar o passo seguinte. Depois de todos os problemas, tem sido muito bom ter esta equipa de apoio.

Estás habituado a estar na rua e a viajar. O que estás a fazer agora – estás em casa?

Basicamente. Tenho acompanhado todas as corridas, tentado ver tudo da Moto3™, Moto2™ e MotoGP™, ver mesmo tudo; diferentes pilotos, quem está a dar que tipo de passos e que motos estão a andar bem, apenas para tentar passar o tempo. Penso que também me estou a tornar num especialista em cinema!

O que achas das corridas e da luta na frente?

Acho que tem sido fantástico. O Jorge fez um trabalho fantástico em Silverstone e penso que o que ele fez é algo que tinha de fazer para manter o campeonato aceso; correu um grande risco na última curva, mas funcionou. O Márquez também este muito bem, depois de deslocar o ombro ainda conseguiu fazer uma prova muito bom. Já vimos que tem um talento enorme e que pode muito bem ser campeão este ano, mas o Jorge está a recuperar. O Marc está a cometer alguns erros. Não digo que esteja a cometer erros nas corridas, mas neste momento é o que basta: ou o Jorge é perfeito o resto da época, e pode resumir-se tudo à última corrida, ou o Marc comete um erro numa corrida. O Jorge pode estar logo lá. O Marc tem cometido alguns erros nos treinos e já todos o viram, por isso é óbvio que está no limite e o Jorge sabe disso. Mas penso que têm sido umas corridas fantásticas. Se o Marc aprender com os erros que tem cometido estarão todos em maus lençóis. Há muitas coisas que podem acontecer, temos de esperar para ver, mas tem sido mesmo muito excitante – em particular em Silverstone, uma das mais emocionantes corridas de MotoGP™ em muito tempo. Misano também foi bom; só ver o Jorge subir a fasquia e ser capaz de enfrentar todos, mas Silverstone foi uma corrida muito boa de ver enquanto fã, ou como um lesionado em casa!

Emocionas-te a ver as corridas como todos nós, ou gostavas apenas de lá estar?

É claro. Assim que acordo ao domingo a primeira coisa que faço é tomar um café e depois vou para o sofá ver a corrida. Ainda vejo a Moto2™ e a Moto3™ na minha conta do MotoGP™ também. É uma grande emoção, ainda para mais com a forma como o Jorge e o Marc correram em Silverstone... quando se vê é de ficar com os cabelos em pé e ficamos nervosos por eles, pelo que é muito excitante. Adoro ver as corridas, mas preferia muito mais fazer parte delas, isso é garantido.

Os pilotos estão agora a planear 2014; pensas muito no próximo ano?

Neste momento a preocupação é voltar a estar a 100%, mas vai demorar. Volto a estar com os médicos esta semana e vamos decidir quando começamos a reabilitação e como vai ser tudo. Falo com a Ducati quase todos os dias e estão a manter-me ao corrente do que se está a passar com a moto, o que vai ser testado, o que estou a fazer, etc. É o ponto em que estamos.

O Yonny Hernández está a rodar com a tua moto...

Desejo-lhe sorte. É uma grande oportunidade para ele – infelizmente às minhas custas – mas espero que faça um bom trabalho e que se dê bem. Neste momento estamos apenas a ver, de fora, e à espera para ver quando posso voltar. De momento os médicos não conseguem apontar uma data. Temos de esperar como corre a recuperação, como correr a reabilitação e coisas assim. Adorava poder voltar para a última corrida, ou rodar no último teste antes do final do ano, mas de momento parece muito complicado.

O único aspecto ‘positivo’ de não voltar esta época é que terias mais tempo para recuperar no defeso...

Sim, se não voltarmos este ano é esse o objectivo: para, da próxima vez que montar uma moto, não ter de me preocupar com qualquer contratempo, ou com mais reabilitação. Por isso, creio que esse é o único ponto positivo de tudo isto.

Há rumores a circular sobre não voltares para a Pramac (apesar do contrato de dois anos até ao final de 2014) e de uma mensagem divulgada pela rua conta de Twitter. Gostava de dizer algo sobre isso?

A única coisa a dizer é que a minha relação com a Ducati é fantástica. Não se passa nada, ao contrário do que li. Ouvem-se as histórias mais descabidas, mas não é mais que isso. A outra coisa foi que todos disseram que o meu ombro estava deslocado, e há uma grande diferença entre uma deslocação e uma separação. Basicamente são as duas coisas que li, mas nenhuma delas está certa.

Tens algum objectivo específico, ou desejo para 2014?

Espero apenas voltar ao ponto em que temos de estar e ficar de novo a 100% – não sentia isso há muito tempo. Se o conseguirmos então saberei o que podemos fazer e a equipa sabe o que podemos fazer; começámos a mostrar isso em Indy, apesar da falta de tempos que tivemos todo o ano, mas depois tivemos o contratempo e foi assim. Antes de traçar qualquer objectivo o primeiro passo é estar outra vez a 100% e depois temos muito tempo para voltar à moto e traçar metas.

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