Laverty fala da passagem para o MotoGP™ com a PBM

Quinta, 3 Janeiro 2013

O motogp.com falou com o novo piloto da Paul Bird Motorsport, Michael Laverty, sobre a tarefa de correr com a nova CRT no mundial.

 

Parabéns pelo contrato!
 
Obrigado, estou muito animado. É algo diferente e vai ser uma grande curva de aprendizagem para mim, mas estou ansioso.
 
Vai ser um ano mais quente para ti!
 
Sim, estive demasiado tempo nas BSB, vai ser bom correr com algum calor! Apesar de pensar que o pessoal teve mais chuva que nós no campeonato no ano passado.
 
Como é que surgiu a oportunidade? É claro que já tinhas uma relação com o Paul Bird do campeonato britânico.
 
Sim, rodei pela equipa nos Campeonatos Britânicos de Supersport e Superbikes. Estive com eles durante três anos no passado. Sei que não fui a primeira escolha para o lugar, foi o Shakey [Shane Byrne – Campeão Britânico de SBK de 2012]. E quando ele recusou até fiquei surpreso por receber o telefonema, mas foi uma surpresa agradável. É giro ver como tudo se concretizou, mas estou contente por ter sido assim.
 
O que nos podes dizer do projecto? Sabemos que vais rodar com um chassis PBM com motor Aprilia, enquanto o teu companheiro de equipa Yonny Hernandez vai estar com uma moto totalmente ART.
 
Parece que vai ser muito interessante no lado PBM da garagem. O chassis é desenvolvido pelo pessoal da GPMS, que costumavam construir chassis para a equipa do Kenny Roberts, e eles fizeram muitos braços oscilantes e componentes de chassis para as SBKs nos últimos anos, pelo que têm muita experiência. Fizeram o trabalho de casa na última temporada e arranjaram bom plano em relação ao ponto de partida, pelo que vão acoplar um motor Aprilia ao chassis e depois uma ECU Magneti Marelli, que será usada por algumas equipas no próximo ano e será obrigatória em 2014. É muito diferente de uma moto ART, em algumas formas pode ser melhor, noutras pode ser pior. Só saberemos quando formos para a pista, mas é bom ter o Yonny Hernandez do outro lado da garagem na ART, pelo que se estivermos com dificuldades teremos sempre uma referência. A equipa parece muito animada com isto e estou esperançoso, a fazer figas para que tudo corra bem no primeiro teste em Sepang. Com um novo projecto nunca se sabe onde se vai começar, mas penso que o pessoal fez o trabalho de casa e creio que deverá estar forte desde o primeiro momento.
 
Crês que serás capaz de competir com a ART desde cedo, é a moto que venceu as CRTs e tem um ano de desenvolvimento?
 
Foi claramente a moto de topo nas CRT este ano quando se olha para o De Puniet e Espargaró, mas a FTR-Kawasaki parece ganhar muito com o Colin Edwards, o Claudio Corti, o Héctor Barberá e o Hiroshi Aoyama no próximo ano. Com quatro pilotos com a FTR-Kawasaki na próxima época isso pode deixá-la muito mais perto das ART. Se conseguirmos, pelo menos, começar ao mesmo nível das ART, ou perto dele, e depois melhorar então teremos uma boa possibilidade de lutar com eles pelas honras das CRTs. Esse é claramente o objectivo da equipa e, espero, o meu, mas é um grande ponto de interrogação porque nunca rodei contra nenhum dos pilotos que estão nas CRT. Vai ser interessante ver onde estamos assim que fizermos o primeiro teste em Fevereiro.
 
Esperas que haja um relacionamento mais forte com a ART este ano? Em 2012 o James Ellison lutou contra as Aspar por que ele estava sempre um ou dois passos atrás quando tocava a receber peças novas...
 
Para os motores no meu lado do projecto PBM penso que se comprometeram com quatro da última especificação, que é o que o James teve no final da época, que o foi o mesmo que o pessoal da Aspar fez rodar com motores “gear-driven cam”, supostamente a especificação de topo da ART. É o que vamos ter para começar. Não sei quando vamos receber actualizações, mas o Paul Bird disse que a relação com a Aprilia parece muito forte e que eles devem deixar a equipa trabalhar no novo projecto e na nova electrónica. A Aprilia vai ter em mente que em 2014 vai ter de rodar com o sistema Magneti Marelli, pelo que lhes é útil ter outra equipa a usá-lo para terem muitos dados. Eles parecem estar contentes por ajudar a equipa a resolver questões de gestão de motor com o sistema Magneti Marelli, pelo que de forma geral penso que a relação com a Aprilia é muito boa, por isso espero que estejamos o mais próximo possível deles.
 
Então o Yonny Hernandez não vai usar a ECU da Magneti Marelli?
 
Ele vai rodar com um pacote totalmente ART, motor, electrónica e chassis Aprilia.
 
Quais pensas que vão ser os teu maiores desafios?
 
São muitas coisas, mas o mais importante para mim vai ser a adaptação. A verdade é que fui retirado da minha zona de conforto, as BSBs, onde conheço todas as caras do paddock; conheço todos os circuitos, as forças e fraquezas de todos os rivais. Vou ter de aprender muito no MotoGP, metade dos circuitos serão novos para mim, terei novos travões e pneus, novo tipo de chassis, nova grelha. O pessoal da garagem não será totalmente novo, conheço-os a todos, mas vão ser muitas coisas para interiorizar; novos países, muitas mais viagens, novas temperaturas. Por isso, a adaptação a todas essas coisas vai ser o mais importante para conseguir ter sucesso no primeiro ano. Há sempre grande ênfase na adaptação aos pneus e aos travões de carbono. Já usei travões de carbono no passado, mas nunca rodei com pneus Bridgestone, pelo que provavelmente o primeiro obstáculo sejam os pneus.  Mas não creio que haja muitas dificuldades com a moto, não creio que as CRTs sejam muito diferentes de pilotar das Superbikes.
 
O Hernandez será um bom companheiro de equipa para ter como referência...
 
Sim, todos dizem bem dele e foi muito forte na Moto2 e nas CRTs no ano passado, pelo que tem experiência. É sempre bom ter um companheiro de equipa com que nos possamos comparar, pelo que estou contente com isso. É bom ter um bom companheiro de equipa do outro lado para estarmos sempre prontos.
Deve ser uma sensação especial entrar na competição como piloto britânico, numa equipa britânica e com uma moto britânica!
Sim, isso é mesmo bom. Com o Yonny a ser um piloto colombiano ele é novo para a equipa, enquanto eu me devo adaptar muito bem porque passei muito tempo com a equipa antes. É bom estar num projecto totalmente britânico; espero representar-nos bem!
 
O que diz o teu irmão Eugene disto?
 
É claro que o Eugene é o piloto de fábrica da Aprilia no Mundial de SBK, pelo que o chassis e o motor não serão muito semelhantes ao que vamos ter, pelo que é bom ter essa referência e vou falar muito sobre as coisas. Ele apoia-me; ele pensa que é uma boa jogada.
 
O que é um objectivo realista para ti?
 
Há tantos factores desconhecidos que é difícil atribuir um número. É claro que quero estar competitivo na frente das CRT. É claro que é fácil falar agora, até competir com os outros não sei onde estarei. É o segundo ano da equipa, mas é um projecto novo pelo que temos de ter isso em conta, mas creio que vencer algumas corridas enquanto CRT e estar no topo da categoria o máximo de vezes possível terá de ser a nossa meta.
 
Tens de manter olhar atento sobre as alterações das regras em 2014, que devem aproximar muito mais as CRTs aos protótipos?
 
Não tenho contrato para um segundo ano, mas o meu objectivo é apresentar boas prestação e quando as coisas mudarem talvez haja um motor Honda, ou Yamaha que possa colocar no chassis que desenvolvermos este ano, pelo que espero ter feito o suficiente e ter sido suficientemente rápido para ter um segundo ano quando as coisas começarem a ficar mais niveladas em toda a classe. De momento é tudo um grande sonho; tenho de ver o quão bem sucedido sou e para onde vão as regras, mas espero ter uma oportunidade para 2014 quando as regras ficam mais iguais.
 
O que pensas sobre o facto de dentro de menos de dois meses estares em Sepang a partilhar a pista com nomes como Valentino Rossi, Jorge Lorenzo e, na tua categoria, com o Colin Edwards?
 
É muito bom! Honestamente é algo que nunca esperei vir a ter a oportunidade de fazer. Sou realista e assim que se passam os vinte e poucos anos pensamos que se ainda não fomos para os GPs já não vamos, pelo que sempre pensei que se tivesse uma oportunidade no mundial seria nas SBKs, mas é bom as coisas terem mudado. Sei que algumas pessoas estão contra as CRTs, mas funcionou a meu favor e deu-me a oportunidade de entrar na categoria de elite e partilhar a pista com alguns dos melhores pilotos do mundo. Vai ser interessante partilhar a pista com eles, é claro que só me vou poder comparar aos outros pilotos CRTs, os protótipos vou ter de ver a desaparecerem à distância a maior parte das vezes. Mas é bom estar no melhor campeonato.
 
Deves estar ansioso por Sepang?
Sim, estou mesmos desejoso. Também sou adepto do desporto, acompanhei todos os GPs e os testes e sempre quis estar numa moto em Fevereiro ao sol quando o tempo está miserável em Inglaterra. Quero apenas ir para a pista, há muito a aprender e parece um circuito muito complicado de conhecer. Estou desejoso por começar!

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