Conversas de Pós-Época: Lucio Cecchinello

Sexta, 29 Novembro 2013

O ano de 2013 permitiu a todo o pessoal da LCR Honda MotoGP viver várias emoções, nenhuma delas mais memorável que o primeiro pódio de Stefan Bradl no MotoGP™ depois de ter partido da pole, em Laguna Seca. Na mais recente edição do “Conversas de Pós-Época” falámos com o CEO da equipa e antigo piloto Lucio Cecchinello.

 

Lucio, partilha connosco os melhores e piores momentos de 2013…

Muito fácil! O bom momento – bem, na verdade um momento fantástico – foi Laguna Seca. Uma sensação incrível! O mau foi na Malásia, quando vimos que o nosso piloto estava lesionado e que ia ter de ser operado, pelo que o Stefan não pôde correr. Também por causa disso nunca mais pudemos apanhar o Cal Crutchlow no campeonato.

 

O Stefan caiu várias vezes durante o início do ano; como é que tu e o resto da equipa tentaram evitar mais incidentes?

Bem, na realidade vimos que quando ele caía era sempre por perder a frente, especialmente à saída das curvas e não tanto à entrada; isso significava que estava a cair quando já não estava a travar. Compreendemos claramente que tínhamos um problema de suspensão frontal e foi por isso que decidimos trabalhar muito com a Ohlins e toda a HRC para tentarmos resolver o nosso ponto fraco – as sensações com a frente.

 

Assim, diria que o facto de ele ter caído muito no início do ano não foi apenas culpa dele, mas também por motivos técnicos, com a afinação da suspensão a não ser perfeita para o estilo de pilotagem dele. É claro que lhe tentámos explicar que tinha de evitar quedas [risos], mas trabalhámos dos dois lados: para ele ser mais cuidadoso e para ajustarmos as partes para resolver as áreas negativas.

 

Como correu o teste pós-Valência? Foi significativo?

Sim, claramente. O teste da nova moto foi uma experiência fantástica. A moto é muito, muito semelhante à anterior, mas a Honda alterou parte do design do chassis e o Stefan disse que sentiu respostas muito melhores do pneu frontal – a moto é mais rígida e mais estável. É impressionante porque a Honda conseguiu melhorar o que já estava quase perfeito! Estamos muito contentes com a nova mota. Também fizemos alguns pequenos ajustes com a suspensão traseira e conseguimos ganhar tracção, o que nos permitiu melhorar muito o nosso melhor tempo; a nossa melhor marca em treino para as corridas foi de 31,5s e no teste rodámos em 30,8s. Resultados muito bons.

 

Em 2014, o Bradley Smith (Monster Yamaha Tech3) espera desafiar o Stefan e o Alvaro Bautista (GO&FUN Honda Gresini). Espera um ano ainda mais desafiante para as LCR?

Absolutamente [risos]! Vai ser difícil. Um época muito desafiante, muito difícil para nós, mas é por isso que estamos aqui e por isso é que até ontem o Stefan esteve cá no nosso workshop em San Marino, a trabalhar e planear para experimentar e arranjar as coisas juntos - para fixar os objectivos para o próximo ano. Eu diria que será uma época muito emocionante e mal posso esperar pelo início. Honestamente… Mal posso esperar!.

 

Falando de outros pilotos, quão perto estiveram de assinar com Nicky Hayden?

Bem, este ano fomos falando com o Nicky e com a Honda - embora não directamente com a Honda americana, porque eles começaram a falar com a HRC e a partir daí falámos com a Honda americana através da HRC. Claro, que seria um sonho, mas a realidade é que no final - para fazer um plano a sério - precisávamos de orçamento.

 

Conseguimos garantir mais ou menos 50% desse orçamento através da HRC e da Honda americana. Para os outros 50%, falámos com potenciais e actuais patrocinadores, mas infelizmente eles não aceitaram a nossa proposta. Por isso, por agora temos de adiar - e digo adiar, como oposto de desistir - o nosso próximo objectivo, que seria ter uma equipa com dois pilotos.

 

Mas, é uma equipa de dois pilotos que está nos planos para 2015? 

O objectivo é certamente 2015, mas claro que ainda temos de encontrar patrocinadores para pagar isso e a realidade é que a industria de patrocínios ainda está afectada pela economia que continua a enfrentar alguns momentos difíceis. Temos de nos sentir com sorte e contentes por ter um piloto com uma mota de fábrica na categoria de MotoGP™, por o objectivo de conseguir um pódio. Temos de continuar a trabalhar para tornar o segundo piloto possível, mas não vou ficar preocupado ou triste se acabarmos por não conseguir.

 

Tendo em conta todas as coisas boas e más de 2013, a LCR vai mudar alguma coisa no próximo ano?

Tal como temos discutido com a nossa equipa, o novo Director de Equipa (Christophe Bourguignon), a Honda, a HRC e o nosso piloto, existem sempre coisa que podem ser melhoradas - tal como acontece em todos os aspectos na vida. Há uma coisa em particular para nós, mas tivemos de certeza muitas pequenas melhorias em áreas que temos de ter em conta no futuro. Já fizemos uma lista de pequenas melhorias e temos de dizer que sabemos o que fazer. 

 

Não será uma mudança radical, apenas dedicarmo-nos a trabalhar mais determinadas áreas. O que inclui começar a preparação do piloto, apoiar o Stefan durante o Inverno, tal como apoiá-lo se quiser testar em qualquer lugar ou passar mais tempo com ele para analisar as coisas, melhorar a sua forma física e também a sua capacidade para ser mais rápido - especialmente com pneus usados.

 

O Stefan pode melhorar em alguma coisa em particular?

Ele esteve um pouco doente, o que é preciso melhorar um pouco é a inclinação nas curvas para a esquerda; vamos fazer mais alguns exercícios com ele para melhorar o equilíbrio e a parte esquerda do corpo. Mas, são tudo pequenas coisas.

Se temos um piloto incrível, espectacularmente talentoso, na verdade não temos de estar preocupados. Se temos um piloto super talentoso mas não tão espectacular, temos de continuar a trabalhar, trabalhar, trabalhar. O Stefan é muito, muito talentoso e concentrado e quer andar tão rápido como o Marc Marquez, que é daqueles realmente raros e extremamente talentosos. O Stefan sabe disso, para diminuir essa pequena diferença de poucos décimos, ele (e outros pilotos) apenas precisa de trabalhar, trabalhar, trabalhar.

 

Os tempos estão a mudar no MotoGP™, com o aparecimento em 2014 das motas “Open” e o fim das ‘CRT’. Além disso, pela primeira vez, todos vão usar centralinas obrigatórias. Em comparação com os últimos anos, como avaliar o futuro do Campeonato do Mundo?

Definitivamente positivo. Primeiro e mais importante, o MotoGP™ tem de dar aos consumidores, aos espectadores e a todos os fans o melhor espectáculo possível. Precisávamos de reduzir tanto quando possível o fosso entre as motas de fábrica e as CRT e as alterações para 2014 são um compromisso muito bom; e, de certeza, um passo em frente para quem tiver as motas “Open” porque elas tiveram uma melhoria técnica - não propriamente com a electrónica , mas com o combustível para a corrida.

 

Ao mesmo tempo as equipas de fábrica vão ter oportunidade de utilizar o seu próprio software, o que é uma oportunidade muito boa, mas acreditamos que - com as motas de fábricas limitadas a 20 litros em vez de 24 - vai haver uma boa vantagem para as equipas e pilotos “Open”, que podem também usar um pneu traseiro mais macio (apesar de isso ainda não estar confirmado). Por isso… será um desafio para nós!

 

Quais são os planos do Lucio Cecchinello para o tempo fora da temporada? Algumas férias marcadas?

[Risos] Todos estão a dizer-me, ‘ O campeonato já terminou!’ e eu digo ‘Obrigado! Mas, ouçam, nós estamos a começar outro campeonato!’ Primeiro o que interessa é fazer pontos e, agora, para mim, é como se outro campeonato tivesse acabado de começar, no qual eu tenho de arranjar dinheiro, por isso não posso começar a pensar em férias!

 

Para o Natal e o Ano Novo, não tenho nada planeado por agora. Penso que vou ficar com a minha família. Tenho um convite para ir uns dias às Caraíbas no início de Janeiro, por isso vamos ver; se tiver tempo, penso em juntar aí uns amigos por quatro ou cinco dias, e isso será suficiente para mim. O problema é que gosto tanto do meu trabalho e do que estou a fazer e tenho a motivação para fazer uma temporada muito boa, por isso não conseguirei estar fora mais do que uma semana - incluindo a viagem!

 

Esta manhã fui visitar a minha mãe e ela disse: ‘Oh, pareces tão cansado!’ e ‘Devias descansar um pouco!’. Disse-lhe que estou a gostar tanto do meu trabalho que não me importo.[Risos] Esta manhã, por exemplo, abri os olhos às seis da manhã, fui logo a seguir tomar banho e depois fui para o escritório, porque tinha muitas coisas para fazer, muitas ideias. Considero-me um homem de muita sorte!

TAGS 2014 LCR Honda MotoGP

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