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Nicky Hayden: `É cada um por si´

Nicky Hayden: `É cada um por si´

Nicky Hayden: `É cada um por si´

Nicky Hayden iniciou o programa de testes de pré-época de 2004, há duas semanas, em Sepang. Após ter passado o seu ano de rookie como número 2 do Campeão do Mundo Valentino Rossi na prestigiada box da Honda com as cores da Repsol, o Campeão de Superbikes de 2002 saiu da sombra do italiano depois de algumas prestações muito dignas nas corridas de final de época, constituindo-se como candidato ao lugar de principal piloto da equipa na medida em que Rossi trocou a Honda pela Yamaha. Como os testes já a decorrerem, Hayden está lutar por esse direito com três experientes vendedores de grandes prémios na forma de Sete Gibernau, Max Biaggi e Alex Barros, bem como o anterior Campeão do Mundo de Superbikes Colin Edwards e o último japonês protegido da HRC Makoto Tamada. Contudo, o piloto de 22 anos continua a não se assustar com o desafio, tendo salientado a motogp.com na entrevista que se segue que "é cada um por si."

motogp.com: depois de um período longo de inactividade, voltar a guiar a mota em Sepang foi uma boa experiência?

Nicky Hayden: Sem dúvida que foi muito bom. Não tinha guiado a mota desde a primeira semana em Valência, daí que foi muito bom voltar a estar com a malta e com a mota na pista e apenas sentir que estou a fazer algo. Após a cirurgia é bom recuperar alguma confiança de volta na mão. Não tive problemas e senti-me muito bem.

Q: As condições meteorológicas na Malásia estão complicadas. Como te sentiste fisicamente depois das férias e da cirurgia?

NH: Bem. Estou a recuperar a força na mão já que tive de usar uma tala. Na travagem da recta em Sepang de 320 Km/h para a curva feita em primeira velocidade foi um pouco duro mas fora isso correu bem. Gosto mais do calor. Honestamente não gosto de correr no frio. Sou um pouco piegas pelo que prefiro estar no tempo quente!

Q: Como se portou a mota comparativamente ao ano passado?

NH: É definitivamente um melhoramento. Sabe-se que a Honda está sempre a trabalhar, daí que a mota é melhor. Consegue alcançar rotações mais altas e tem um sem número de pormenores que me agradaram. Cada vez mais estou confortável com o novo motor e a forma como consegue colocar a potência no chão. No entanto, ainda não tive oportunidade de rodar com o novo chassis assim que espero que o possa fazer no próximo tests.

Q: Como vês a situação na Honda agora que o Valentino Rossi saiu?

NH: Não sei qual é a situação actualmente – eles afirmam que todos vão começar o ano em pé de igualdade e não se pode pedir mais que isso. Se algum dos pilotos se conseguir demarcar na luta pelo título, então talvez mereça receber as novidades conforme elas vão surgindo. Pela minha parte, tudo o que espero é estar ao nível dos outros para mais tentar ser o futuro da Honda. Agora sou o piloto mais jovem da Honda, todos os outros são um pouco mais velhos que eu. O Max e todos os outros já cá estão há muito tempo e como sei que a Honda está sempre de olhos postos no futuro eu quero ser o piloto para quem eles olham. Há algum tempo que estou com a Honda e eles têm depositado muita confiança em mim, pelo que agora quero corresponder."

P: Achas que tens o que é necessário para seres o piloto principal da Honda?

NH: Não necessariamente para ser o líder, mas quero mesmo ser o piloto do futuro porque, como se costuma dizer, os restantes não vão cá estar para sempre. Gosto de aprender tudo sobre a moto e tentar fazer com as coisas se tornem melhores. Posso não ser o melhor actualmente, mas gosto de estar como estou. Quer isto dizer que algumas das coisas que aprendi ao trabalhar com a equipa têm sido incríveis – por a tecnologia chega a ser demais e faz-nos pensar "onde é que vão buscar as ideias?" As motos estão muito avançadas – é positivo para o desporto, mas ao mesmo tempo creio que os pilotos não têm tanto controlo como dantes. Mesmo assim, no final tudo se limita a quem consegue dar o máximo.

P: O que pensas da mudança do Rossi para a Yamaha – será positiva?

NH: Isso é o que vamos descobrir! Seja como for, creio que vai ser bom para o campeonato, para o desporto, isto além de ter trazido mais emoção e ter deixado tudo em aberto. Para mim vai ser positivo, pois agora é cada um por si. Prefiro assim a ser segundo em relação ao Valentino. Foram todos muito rápidos a falar dele por que no ano passado a Yamaha não estava tão forte como a Honda e como a Ducati, mas afinal de contas ele é o Campeão do Mundo e não podemos descurar isso. Vai ser interessante. No próximo ano vai estar tudo em aberto e estou preparado para isso.

P: O que sabes do teu novo companheiro de equipa Alex Barros?

NH: Para ser honesto nem sequer o conheço. Cumprimentei-o algumas vezes, mas é tudo. Se calhar nem lhe dirigi mais que dez palavras na minha vida, mas todos dizem que é muito simpático. Uma coisa já aprendi aqui. Enquanto no Estados Unidos os companheiros de equipa trabalham em conjunto, partilhando informações e falando sobre tudo, aqui é cada homem por si. É assim! No ano passado eu e o Valentino não falámos de praticamente nada. Demo-nos bem, mas... desde que a atmosfera da equipa seja boa e que não sejamos rivais amargos tudo está bem! P: Houve muitas pessoas com dúvidas em relação a ti quando entraste para MotoGP. Achas que provaste que estavam erradas?

NH: Não me importo muito com isso. Houve quem duvidasse, mas isso só me fez ser melhor. Foram rápidos a dizer que devia ter sido outro a ocupar o meu lugar, mas eu acho que a resposta está em trazer sangue novo e não em utilizar sempre pessoas que já cá estiveram. Vamos ter sempre pessoas a duvidar e a falar mal de nós, mas o importante é que fui capaz de provar o que valho no final do ano. No início da época tive alguns problemas de que as pessoas não têm conhecimento e que acabaram por afectar a minha confiança e afectaram a minha curva de aprendizagem, mas isto não quer dizer que me estou a desculpar. O importante é que consegui dar-me bem com a moto e com a equipa. Este ano não terei desculpas.

P: Quais são os teus objectivos para esta temporada?

NH: Vai ser difícil, mas o meu objectivo é vencer o Campeonato do Mundo. Como disse, agora não tenho desculpas, conheço a moto e as pistas, pelo que tudo depende de mim. Vai ser difícil porque há grandes pilotos no pelotão. Não estou a dizer que sou o favorito, mas quero pôr o meu nome no topo, ser consistente, manter-me bem fisicamente e dar o melhor em cada fim-de-semana. Não será fácil, vou ter de melhorar as minhas prestações, mas estou preparado para fazer o que for preciso – é assim que sou.

Tags:
MotoGP, 2003, Nicky Hayden

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