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Randy Mamola fala sobre o Brasil

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Bem, quem diria que íamos sair do Rio no domingo à noite com Valentino Rossi e Sete Gibernau com os mesmos 126 pontos com que lá chegaram? Foi uma grande surpresa e uma corrida impressionante marcada pela soberba vitória de Makoto Tamamda.

Parabéns ao Makoto e, claro, à Bridgestone, que levou a cabo uma grande reviravolta depois do desastre de Mugello há apenas três corridas, quando Shinya Nakano se despistou a 300 km/h devido ao rebentamento de um pneu e Tamada se viu afastado da luta pela liderança por semelhante motivo. Agora a marca conseguiu a sua primeira pole e primeira vitória no mesmo fim-de-semana.

O resultado da corrida de domingo parece uma surpresa, mas quando olhamos para o resultado de 2003 e retiramos Rossi e Gibernau vemos uma grande semelhança. Na altura Rossi e Gibernau reclamaram foram os dois primeiros seguidos de Makoto Tamada, Max Biaggi, Nicky Hayden e Loris Capirossi. No domingo estes últimos quatro pilotos cruzaram a linha de meta pela mesma ordem nas quatro primeiras posições e com diferenças muito idênticas às do ano passado!

Podemos passar um dia inteiro a especular sobre como teria sido se o Sete e o Valentino não tivessem caído, mas na minha opinião o Tamada teria vencido na mesma. Ao vê-lo a correr ficamos com a ideia que ele rodava sob carris. A aderência daqueles pneus era inacreditável e creio que ninguém conseguiria igualar o ritmo que ele apresentou no final da corrida.

Nas folhas de tempos os homens mais rápidos foram Gibernau e Biaggi e, se me tivessem perguntado antes da corrida, o meu favorito era o Gibernau. Não tinha a certeza se o Max conseguiria aguentar o mesmo andamento toda a corrida, mas, como vimos, ele acabou por o conseguir, pelo que teria havido uma interessante luta entre os dois pelo segundo lugar. Quanto ao Rossi, creio que teria andado no topo a lutar por uma posição no pódio.

O Valentino teria de rodar muito forte e iria lutar com Gibernau para se manter na liderança do campeonato, o que me faz ficar ainda mais surpreso com a queda dele depois do Sete já estar fora da corrida, em vez de ter abrandado e correr para os pontos. Foi-me sugerido que se ele queria garantir já o título podia ter ficado na Honda, e todos vimos a forma como ele pilotou em Phillip Island para averbar o primeiro título de MotoGP em 2001, batendo o Biaggi na última volta e numa altura em que ainda faltavam duas corridas para o final da temporada.

Mas eu vejo as coisas de forma diferente. Naquela altura ele sabia que se as coisas corressem mal ainda havia a Malásia e o Rio para vencer o título. Agora ele não sabe quão cruciais foram os pontos que perdeu no domingo. Não estou a criticar o Rossi, ele é o Campeão do Mundo, mas este ano já vimos, em Jerez e Le Mans, que ele não se importa de correr para o quarto lugar se tiver de o fazer e fiquei muito surpreendido por não o fazer neste fim-de-semana.

Seja como for, e olhando mais para baixo na classificação, creio que se tratou de um excelente fim-de-semana para o Kenny Roberts Jr., que estabeleceu a pole position com uma volta perfeita no sábado e fez de tudo para se manter na frente da corrida. O Kenny liderou as primeiras voltas, mas no paddock já se gozava com o facto das três Honda terem tirado os autocolante da sua moto na recta oposta e que Garry Taylor, Director de Equipa, teria de redecorar a moto para Sachsenring.

De qualquer das formas, foi uma boa performance por parte do Kenny e mais um sinal que a Suzuki está a apresentar melhorias no que toca ao ritmo de corrida, que esteve apenas a um segundo por volta de lutar pelo triunfo.

Para ser honesto, houve melhorias em todo o pelotão e se compararmos os tempos de domingo com os da corrida de Setembro último as diferenças são significativas. Por exemplo, qualquer um dos pilotos até ao quinto lugar de Colin Edwards teria vencido a corrida de 2003 com os tempos realizados no passado domingo e, infelizmente, os desenvolvimentos levados a cabo entre os pilotos de topo ofusca um bocado as melhorias efectuadas no resto do pelotão.

Uma referência apenas à Kawasaki e ao Shinya Nakano, que foi oito segundos mais rápido que em 2003 com a Yamaha, enquanto mais atrás, aos comandos da Aprilia, Jeremy McWilliams foi cinco segundos mais rápido que Edwards na mesma moto no ano passado.

A prestação mais desapontante terá sido a de Rubens Xaus, que tem estado em grande forma esta época, mas que ficou quase a 20 segundos do tempo de Loris Capirossi no ano passado com a Ducati. Como disse, só foi desapontante pelos resultados que o Rubens tem vindo a apresentar recentemente e ainda conseguiu bater o seu companheiro de equipa Neil Hodgson por larga margem.

Agora vamos rumar a Sachsenring, na Alemanha, para a oitava jornada com Rossi e Gibernau exactamente nas mesmas posições em que estavam antes do Brasil, empatados com 126 pontos. Promete ser mais uma corrida tremenda onde ainda estão frescas as memórias do triunfo de Rossi no ano passado na última curva. Será certamente mais um interessante capítulo na relação entre os dois pilotos.

No que a isto diz respeito, deixo-vos uma pequena estória no aeroporto do Rio no domingo à noite. Enquanto estava sentado no lounge das partidas, à espera do voo com o Sete e o Nicky Hayden, o Valentino passou por nós e pude ver uma estranha troca de olhares entre eles. Foi provavelmente a primeira vez que olharam um para o outro decentemente desde o pódio de Assen, altura em que havia um certo mau estar quanto à ultrapassagem de Rossi.

Nenhum deles parecia saber o que dizer, mas o Sete quebrou o gelo. "Não sei quem é o mais parvo – se eu ou tu," disse.

O Rossi sorriu e respondeu: "Nessa, acho que ganhávamos o primeiro prémio os dois."

Vemo-nos na Alemanha,

Randy

Tags:
MotoGP, 2004

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