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Max Biaggi: "Não há mais desculpas"

Max Biaggi: 'Não há mais desculpas'

Max Biaggi: "Não há mais desculpas"

Max Biaggi disse, dois dias antes dos testes de pré época da HRC na Malásia, que não tem mais desculpas agora que conta com o apoio de fábrica para lutar pelo título com Valentino Rossi.

Nesta entrevista exclusiva com o motogp.com o italiano falou abertamente sobre as suas esperanças para a nova temporada, discutindo o desenvolvimento da versão 2005 da Honda RC211V, a sua relação com a renovada Repsol Honda e os seus principais rivais na luta pela glória.

motogp.com: Como é que está a recuperação do teu tornozelo? Vais deixar as canadianas em casa e rodar de novo com as botas especiais?

Max Biaggi: O pé progrediu bastante. Já não está inchado e consigo utilizar botas normais. Passei os últimos dias a treinar numa bicicleta porque ainda estou longe de estar a 100% para correr, mas tenho sido capaz de deixar as canadianas de lado. Mas não creio que alguma vez deixarei as botas especiais de lado. Além de darem bom apoio ao tornozelo, são também forma extra de protecção contra lesões. Têm um protector de fibra de carbono no interior, que é muito leve, mas verdadeiramente forte e se as tivesse quando caí provavelmente não teria partido nada. Ao menos o meu acidente deve ajudar a evitar problemas do género com outros pilotos porque a Dainese está a considerar a colocação das botas em produção. Talvez um dia alguém diga "ainda bem que o Biaggi partiu o tornozelo!" Ou talvez já o tenham dito sem sequer conhecerem a bota...

P: Deves estar muito mais optimista para este teste do que estavas para o anterior…

MB: Claro. Da última vez nem sabia se ia conseguir fazer uma volta. Foi uma altura de muita angústia que não desejo a ninguém.

P: A HRC divulgou há tempos que serias o "principal foco de atenções" deles esta temporada. É esta a grande oportunidade de venceres o Campeonato do Mundo de MotoGP que há tanto tempo te escapa?

MB: Em italiano chamamos a isso "cavallo di punta", que significa "o cavalo principal", por isso ando a comer feno ao pequeno-almoço todas as manhãs! Brincadeiras à parte, estar na HRC é fantástico para mim e, acima de tudo, grande motivação. Qualquer pessoa que vá para a pista quer ser piloto oficial Honda, sejam fãs ou pilotos profissionais. Se alguém disser que quer estar com outra marca é porque foi contratado para o dizer... ou isso, ou estão um pouco doidos! É um papel importante para mim porque vai permitir-me estar envolvido com o desenvolvimento da moto. O meu principal objectivo é criar uma máquina que me permita tirar o máximo do meu potencial e agora isso só pode ser feito na Honda. Quero desfrutar enquanto corro. Quero terminar uma corrida e dizer "não podia ter sido melhor que isto".

P: Vais ter uma RC211V versão 2005 pela primeira vez no próximo teste. Como é que estás a encarar este momento vital da ré época?

MB: Vai ser um trabalho intenso, já o sabemos. Temos de construir uma moto vencedora e isso não é fácil porque 2004 foi um ano perdido e os outros fizeram bom trabalho. Mas gosto muito desta equipa e estar de novo com um grande profissional como o Erv Kanemoto é fantástico. Temos uma relação especial e sinto uma ligação única ao Erv. Tirando isso, temos nova equipa, jovem, talentosa e altamente motivada a começar logo pelo Chefe de Macânicos Iawano. A pista fecha normalmente às 18 horas e ficamos a trabalhar até às 22 ou mais.

P: Algumas vozes críticas dizem que não serás capaz de bater o Rossi esta temporada, isto apesar de contares com o total apoio da HRC. Como é que isto te afecta quando ainda nem testaste com a moto de 2005?

MB: Nas minhas viagens tenho notado muita curiosidade quanto a mim e à minha nova moto, tanto de jornalistas como de outros pilotos. Gosto disso – é bom saber que outras pessoas pensam em nós (risos)! Alguns estarão prontos a fazer julgamentos sobre os resultados do próximo teste, como se fosse possível construir uma moto vencedora em duas semanas, mas já ouvi que chegue. Quero dizer algo que nunca disse: não vão ouvir mais desculpas minhas. Estou farto deste estereotipo que me tem sido aplicado. Sei perfeitamente que algumas pessoas estão à espera que comece a culpar problemas técnicos ou outras coisas. Conheço os jornalistas e só me perguntam sobre vibrações. Bem, este ano quero desiludi-los. As únicas vibrações serão das canetas ou microfones deles. Se tiver alguns problemas técnicos vou apenas discuti-los com a minha equipa na qual tenho absoluta confiança.

P: O Valentino Rossi sugeriu que 2005 será uma luta entre ele, Max Biaggi e Sete Gibernau com a Ducati a ter também algumas possibilidades de andar na frente. Concordas? Qual é o teu ponto de vista sobre a grelha neste momento?

MB: O Rossi tem razão. Podem escrever: "Biaggi diz que Rossi tem razão". Gostam disto? No que respeita à grelha algumas pessoas dizem que é pena sermos menos, mas pelo que vejo os bons pilotos estão todos lá. Nunca veremos uma prova de MotoGP com tantos pilotos como uma corrida de Supercross norte-americano, por exemplo.

P: Como é que te estás a dar com a nova equipa e o que pensas do teu novo colega Nicky Hayden?

MB: Estou muito satisfeito. Temos boa atmosfera na HRC – são todos novos na equipa, por isso damo-nos bem. Estamos todos a trabalhar bastante porque ainda há muito pela frente. Estamos todos a tentar conhecer-nos e estamos no início de uma longa viagem. O Erv não necessita de apresentações – é uma vantagem garantida. O Nicky, nas suas próprias palavras, é porreiro. Em italiano dizemos que é um "figo", bom rapaz e descontraído.

Tags:
MotoGP, 2005, Max Biaggi

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