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Mick Doohan fala sobre Bayliss, Biaggi e Honda

Mick Doohan fala sobre Bayliss, Biaggi e Honda

Mick Doohan fala sobre Bayliss, Biaggi e Honda

Mick Doohan esteve no circuito de Phillip Island na sua terra Natal, Austrália, na passada semana e teve contacto com alguma da acção de pré-temporada de MotoGP. Doohan pode ainda discutir os planos para futuros Grandes Prémios com o ministro do turismo de Victoria, John Pandazopoulos (na imagem).

Enquanto que algumas equipas de fábrica continuam os seus programas de testes de preparação para o Campeonato do Mundo de MotoGP, Doohan deitou um olhar no que se passava e deu-nos as suas ideias sobre alguns dos assuntos mais quentes deste Inverno.

Em primeiro lugar, falou-se dos progressos realizados pelo seu compatriota Troy Bayliss, que tem tido muito trabalho para se adaptar à equipa Camel Honda e à RC211V. Correm aliás rumores que o ex piloto da Ducati deverá desistir de participar em MotoGP se não conseguir encontrar uma moto que se adapte ao seu estilo de pilotagem.

"Já li alguma coisa sobre o facto de, mas não sei se será verdade, ele dizer que é velho demais para alterar o seu estilo. Não acredito nisso nem por um segundo. Se eu pude mudar a forma como pilotava depois do acidente, acho que ele também pode mudar o seu estilo", comentou Doohan, fazendo referência ao seu acidente de 1992 que lhe custou a hipótese de desafiar Wayne Rainey pelo título, depois de ter falhado uma série de corridas com uma perna partida.

"Penso que a resolução do problema passa por ele relaxar um pouco. Ele é, obviamente, um piloto muito rápido. Apenas precisa de se adaptar ou a moto ao que ele precisa. Ainda estamos numa fase muito precoce, mas ele é um piloto muito rápido e apenas consigo imaginá-lo a melhorar.

"Num jornal australiano li que ele estaria a pensar deixar o MotoGP mas não consegui acreditar. Precisa apenas de assentar sem grandes pressas.

"Pilotei a quatro-tempos apenas algumas vezes, mas a progressão da Wayne Gardner 500 para o que eu gostava, era torna-la mais amiga do piloto, mais maneável. Em resultado desse esforço, os outros pilotos ficaram com a vida mais facilitada para pilotarem as 500.

"A mesma filosofia foi adoptada à RCV, pelo que imagino que tem um carácter completamente diferente aquele a que ele (Bayliss) está habituado. Trata-se apenas de ele concentrar o seu esforço nesse sentido e ajustar-se. Talvez abrandar um pouco para poder ser mais rápido.

"Penso que todas estas motos hoje em dia tem um imenso binário, muita potência. Daí que a "guiabilidade" seja bastante boa, mas a Honda parece ter a o motor mais suave e melhor projectado. No entanto, não sei se isso é uma boa coisa ou não, já que por vezes a Honda corre contra si própria.

"Talvez tenham de alterar um pouco as características do motor para o Troy. Sei que a Honda gosta de se concentrar naquilo a que chamo um "electric engine", em especial no que se refere às suas máquinas a quatro-tempos, onde basicamente se tem apenas uma curva de binário. Talvez ele não esteja habituado a isso.

"Talvez ele precise de algo mais dócil no início e que se torne mais agressivo quando começa a desenvolver a potência. Não falei com o Troy pelo que posso estar errado. Mas penso que isso será o que ele deverá estar a pedir. Espero que o consiga porque não deverá ser fácil de resolver."

Doohan deu também a sua opinião sobre a decisão da HRC de dar um apoio incondicional ao seu velho rival, Max Biaggi e à Repsol Honda, afirmando que o Sete Gibernau seria o seu favorito.

"Julgo que o Max não é o homem capaz de liderar um programa de desenvolvimento", afirmou Doohan. "Sem o querer ofender, acho que ele tem a tendência para ser muito minucioso quando se quer uma moto capaz de correr em todas as condições.

"Gibernau… se eu fosse a Honda e dado o ano passado, concentraria toda a minha atenção nele. Ele é realmente o piloto número um da Honda neste momento.

"É raro ter-se alguém como o Wayne Rainey, Kevin Schwantz, Eddie Lawson ou eu mesmo. Alguém que consegue trabalhar com a equipa e por tudo a funcionar em perfeitas condições. Neste momento, há apenas um tipo que sobressai nesse aspecto, o Valentino."

Doohan confirmou ainda que o seu contributo oficial com a HRC terminou de forma amigável, mas acrescentou que continuará a colaborar com a marca japonesa de forma informal.

"No ano passado, não fiz nada com a Honda, porque queria voltar aqui (à Austrália). Tínhamos uma relação muito boa, mas honestamente eu não lá estava a fazer nada e há um limite para a quantidade de café que um homem pode trazer!!

"Chegou a um ponto em que já estava a ser prejudicial para mim e ir a apenas metade das corridas mais vale não ir a nenhuma. Estou a planear ir a quatro ou cinco corridas este ano e ainda tenho o mesmo relacionamento com a Honda, apenas sem contrato!".

Tags:
MotoGP, 2005, Mick Doohan

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