Compra de bilhetes
VideoPass purchase

Trabalhar no MotoGP: Liam Shubert, Mecânico da Pramac d´Antin

Trabalhar no MotoGP: Liam Shubert, Mecânico da Pramac d´Antin

Nesta estrevista do Trabalhar no MotoGP o motogp.com fala com Liam Shubert, mecânico da Pramac dAntin responsável pela gestão do stock de peças para a Ducati Desmosedici GP7 800cc de Alex Barros e Alex Hofmann.

Nesta estrevista do Trabalhar no MotoGP o motogp.com fala com Liam Shubert, mecânico da Pramac dAntin responsável pela gestão do stock de peças para a Ducati Desmosedici GP7 800cc de Alex Barros e Alex Hofmann.

Durante a paragem de Verão o Trabalhar no MotoGP vai levá-lo aos bastidores do paddock de MotoGP, dando-lhe a conhecer um conjunto de pessoas que desempenham papeis importantes fora de pista no Campeonato do Mundo, revelando até que ponto estão envolvidas nos Grandes Prémios.

Com a Pramac dAntin a ser uma formação privada, o papel de Shubert é funcionar como elo de ligação com a Ducati Corse no que respeita ao fornecimento de peças para Barros e Hofmann e por vezes tem mesmo de deitar mãos ao trabalho quando é necessário desmontar e voltar a montar uma moto de corrida

Quais são as tuas principais responsabilidades?
Por norma lido com as peças necessárias para assistir, manter e reparar quatro protótipos Ducati de corrida ao longo de uma temporada inteira do Campeonato do Mundo. Sou o primeiro ponto de contacto entre a Pramac dAntin MotoGP e a Ducati Corse e o meu trabalho é registar a utilização das peças, controlar o stock da equipa e, quando necessário, encomendar mais componentes quando é preciso para continuarmos a testar novas soluções e novas peças para a moto.

Faço a gestão das peças sobresselentes para as corridas e verifico se as transacções e facturas entre a nossa equipa e a Ducati Corse estão correctas. Na pista faço a gestão do nosso material de corrida e trabalho em grande proximidade com os mecânicos para garantir que as peças são trocas na altura certa e, no caso de acidente, sou eu que selecciono quais as peças necessárias para reconstruir a moto por vezes chego mesmo a colocar as mãos ao trabalho se o tempo for curto.

Quais são os aspectos mais duros do teu trabalho?
Com a nova Ducati GP7 estamos a encontrar diferentes limites de quilometragem e longevidade dos materiais que estamos a utilizar, por isso tento olhar para o futuro e aumentar o nosso inventário de acordo com o que penso ser correcto e em conformidade com os conselhos dos nossos Mecânicos Chefes, Emanuele Martinelli e Fabiano Sterlacchini. Não é tão fácil como pedir as peças à fábrica porque algumas delas vêm de fora e há tempos diferentes para a entrega das mesmas à equipa por norma dois a três meses.

Por estes motivos é muito importante saber quais as peças que são mais utilizadas, reconhecer o porquê e reagir a essas tendências para agirmos em concordância de forma a estarmos o melhor preparados possível e mantermos as nossas motos na pista e na grelha. Aconteça o que acontecer. Além disso, sou também o único norte-americano na equipa e por vezes há algumas dificuldades culturais e linguísticas que surgem porque a equipa é fundamentalmente composta por espanhóis e italianos. Trabalhei arduamente para desenvolver um sistema de comunicação a integração com a minha equipa que me parece nos ter tornado mais fortes e unidos e sinto que estes são factores importantes para construir uma equipa de sucesso.

Quais as coisas mais excitantes e compensadoras do teu trabalho?
Quando vejo os meus companheiros a sorrir e a congratularem-se depois de uma boa corrida ou de um fim-de-semana mais duro, quando sei que todos trabalharam bem em conjunto e não desistiram, aí sim, fico satisfeito. Não posso controlar tudo, mas as motos a funcionarem bem, com boa afinação, os pneus Bridgestone a continuarem a evoluir e melhorar, e quando os pilotos lutam arduamente por cada posição, é aí que sei que contribuiu para que a minha equipa fosse capaz de competir a este nível e é isso que me deixa muito contente. É claro que quero lutar por pódios, vitórias e até mesmo por Campeonatos do Mundo, mas cada corrida terminada é um pequeno sucesso para mim porque o meu trabalho é manter as motos equipadas com tudo o que precisam e uma corrida terminada significa que fiz o meu trabalho.

Como é que preparas cada Grande Prémio?
Se tiver feito o meu trabalho bem devo ter o próximo Grande Prémio preparado quatro ou cinco corridas antes! Contudo, há sempre problemas diferentes em cada corrida e necessidades diferentes, por isso vou para cada corrida mentalmente preparado para resolver o máximo de problemas possível da forma mais rápida e simples que for capaz. Por vezes levo outros materiais para a equipa, como material de limpeza ou papel, mas principalmente garanto que tenho os meus computadores, os meus ficheiros e, o mais importante, a atitude vencedora.

Como é a tua rotina em cada dia de um fim-de-semana de Grande Prémio?
Na verdade, um fim-de-semana de corrida é uma semana para todas as equipas; chegamos à pista na quarta-feira de manhã para montarmos a box e começar a preparar a moto. Se tiver havido um acidente em corrida começamos logo a reparar a moto e na quinta-feira à tarde ligamos todas as motos, sistemas electrónicos e sensores para verificarmos alguma eventual anormalidade. Estes são os dias mais atribulados para mim na pista, mas sexta-feira e sábado são um pouco mais fáceis porque temos um programa bem definido para as motos entrarem em pista e quando podemos realmente trabalhar nelas.

Passo partes das quartas-feiras e quintas-feiras a verificar as novas peças da Ducati e as sextas-feiras e sábados a preparar conjuntos de mudança rápida para que quantos trocamos relações de caixa ou trocamos motores tudo corra da melhor forma possível. Durante os treinos livres estamos sempre à procura das melhores sensações para os pilotos e da maior longevidade dos pneus, por isso trocamos várias coisas relacionadas com afinações de chassis e suspensões, bem como molas. É divertido porque todos os dias são um pouco diferentes e quando temos o clima que temos tido ultimamente torna-se ainda mais excitante.

Como é que o teu trabalho mudou desde que te envolveste no MotoGP?
Comecei a carreira no MotoGP como mecânico e isto permitiu-me conhecer as peças da moto e os sistemas de trabalho na box. Quando mudei para Gestor de Peças de Substituição e Logística já conseguia visualizar as coisas muito melhor e vir directamente do trabalho com as motos ajudou mesmo muito a facilitar o meu trabalho porque sei desde logo o que é que é mudado com mais frequência, o que é que se pode partir e de que é que vou precisar no futuro para fazer com que as motos continuem fortes.

Quando comecei a trabalhar mais de perto com a Ducati Corse criámos vários novos sistemas de seguimento das peças, encomendas de componentes e gestão de contas e estou sempre a tentar tornar as coisas mais eficientes entre as nossas duas organizações. Neste aspecto tenho muito orgulho em saber que ajudei a tornar mais próximas uma marca italiana como a Ducati e a minha equipa espanhola, a Pramac dAntin, sempre com claros objectivos, e aumentando a competitividade em pista. Passei de uma pessoa que trabalhava directamente nas motos para ser agora um dos elementos da espinha dorsal da formação e fico contente por ajudar os meus rapazes sempre que posso.

Como é que chegaste ao paddock de MotoGP?
Apaixonei-me pelos Grandes Prémios no final das 500 a dois tempo. Eram muito estranhas para mim, como os circuitos, mas tentei sempre ir alem do que era possível em duas rodas. Quando mudaram para as quatro tempos em 2002 sabia que queria fazer parte da competição de alguma forma, mas foi só em 2005 que olhei bem para a minha vida e decidi apostar forte e vir para a Europa. Depois de trabalhar com o Luís dAntin no Campeonato Nacional do Qatar ele deu-me luz verde para me juntar à equipa de MotoGP e tem sido incrível desde então.

Qual é o teu conselho para uma pessoa que queira desempenhar um papel semelhante ao teu?
Acreditar em si próprio, na sua paixão e saber que, quando as coisas parecem estar mal, há sempre um amanhã mais brilhante. Se continuarmos com a mente clara, apostarmos forte e nos dedicarmos a aprender constantemente não há muito que não seja possível fazer na vida.

Com

Tags:
MotoGP, 2007

Outras actualizações que o podem interessar ›