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Benson opina sobre a classe de MotoGP

Benson opina sobre a classe de MotoGP

Depois de dez anos com a Repsol Honda, Pete Benson teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos melhores pilotos da história.

A carreira de Pete Benson começou em 1994 como mecânico com o inglês Niall MacKenzie na Yamaha e um ano mais tarde passou para as Superbikes quando foi contratado pela Honda.

Benson passou dois anos a trabalhar com Aaron Slight e depois regressou ao Campeonato do Mundo com a Honda em 1998 como mecânico de Tady Okada. Na Repsol Honda teve a oportunidade de trabalhar durante algumas corridas com Mick Doohan e depois, em 2001, com Tohru Ukawa.

Os anos de 2002 e 2003 foram de glória quando venceu o Campeonato do Mundo com Valentino Rossi e depois passou a época de 2004 com Alex Barros. Desde 2005 Benson tem sido o responsável pela box de Nicky Hayden, piloto com o qual ganhou o Campeonato do Mundo no ano seguinte, desta feita como Chefe de Mecânicos.

De todos os pilotos com que trabalhaste até agora, qual é que te impressionou mais e porquê?
`O Valentino Rossi e o Mick Doohan. Não fiz muitas corridas com o Doohan, mas são ambos grandes pilotos. O Valentino tem a boa habilidade de compreender os aspectos técnicos da moto e concentra-se muito no que quer e necessita. Mais, as capacidades deles quando têm de rodar mesmo rápido coloca-os à parte do resto da competição. Ele conseguem rodar e testar coisas, mas quando necessitam são capazes de serem muito rápidos. São ambos brilhantes.´

Como é que defines o Nicky Hayden enquanto piloto?
`É muito concentrado e é fácil trabalhar com ele, isso tem ajudado muito ao longo dos últimos quatro anos. Torna o trabalho mais fácil. Ele nunca se queixa com ninguém se alguma coisa não funcionar.´

Que aspectos pensas que ele pode melhorar?
`Talvez necessite de mais consistência nas sessões de treinos, o que pode ajudar. Se bem que ele se dá sempre melhor nas corridas; é um lutador.´

O ano passado foi complicado para o Campeão do Mundo de 2006. Três terceiros lugares como melhores resultados na nova Honda RC212V. Como é que se motiva um piloto que venceu um Campeonato do Mundo e no ano seguinte luta com uma moto com a qual não se sente confortável?
`Foi complicado. Penso que o Nicky não se adaptou muito bem às 800cc. As 990cc eram muito melhores para o seu estilo e ele levou algum tempo a habituar-se às exigências da nova capacidade do motor. Ele não precisou de ninguém para lhe dizer para fazer isto ou aquilo, ele encontra a sua própria motivação. Mas é claro que foi difícil tentar recuperar depois das primeiras quatro ou cinco corridas. Ou, por exemplo, em Phillip Island, onde ele estava muito rápido, mas o motor falhou. Foi o pior que podia ter acontecido porque ele estava numa posição que lhe permitia voltar ao pódio.´

A pré época e o início no Qatar não foram fáceis, mas em Jerez começaram a surgir resultados. O que pensas da Honda RC212V de 2008?
`A moto que temos agora parece estar a apresentar boas prestações. Tivemos muitos problemas durante a pré época e não fizemos um bom trabalho durante os testes deste ano. Penso que falhámos alguns aspectos que eram importantes e não começámos da melhor forma. Mas agora a moto parece estar bem e acho que se a Honda conseguir melhorar o moto um pouco teremos uma moto muito boa.´

Como é que o trabalho de mecânico mudou com todos os desenvolvimentos tecnológicos?
`A electrónica foi o que mais mudou, se bem que o trabalho de mecânico não é muito diferente do que sempre foi. A electrónica desempenha um papel mais importante agora nas afinações da moto e há dez anos não existia. A parte técnica não mudou muito, só a telemetria, responsável pela injecção de combustível, e que se tornou numa parte muito importante do todo.´

Tens trabalhado com Campeões como Doohan, Rossi e o próprio Hayden. O que é que faz a diferença para um piloto ganhar o Campeonato do Mundo?
`Os pilotos que ganharam o Campeonato do Mundo por várias vezes, como o Doohan ou o Rossi, têm uma força de vontade muito forte. Penso que isto é o mais importante. São muito fortes mentalmente. Há sempre uma certa sorte envolvida em todos os campeonatos, mas vence-se um campeonato sendo-se constante e rápido em todos os fins-de-semana, terminando no pódio em quase todas as corridas. O Valentino e o Mick não se preocupavam com o que os outros diziam deles, ou com o que acontecia à volta deles. Penso que a principal qualidade é a força mental, muito mais importante que o estado físico ou a moto. A força de vontade é a principal diferença e é isso que torna um piloto diferente.´

Há muitos pilotos jovens e talentosos a começarem a carreira nesta categoria. A adaptação à categoria rainha é agora mais fácil? Pensas que o nível do MotoGP aumentou?
`Não posso dizer se o nível na categoria aumentou. Agora talvez seja mais fácil para os pilotos das 250cc adaptarem-se ao grande controlo que agora têm sobre as suas motos, mas o (Andrea) Dovizioso e o (Jorge) Lorenzo são pilotos de muito talento. Mas penso que devemos esperar por mais duas ou três corridas para se o nível da categoria realmente mudou muito, ou não, mas na minha opinião com o desenrolar da temporada vamos provavelmente ter os mesmos pilotos do ano passado e talvez mais uns que podem ter possibilidades. Pode ser mais renhido, mas não acredito que o nível tenha subido assim tanto.´

500cc, 990cc, ou 800cc?
`As 500cc já foram há muito tempo. Não me interessa muito há quanto, desde que as corridas sejam boas e a tecnologia melhore. Quero dizer, as 500cc eram uma máquinas loucas que muitos não conseguiam pilotar. Agora as motos talvez sejam mais fáceis de pilotar e podemos ver mais pilotos a rodar rápido. Mas ainda são Grandes Prémios ao mais alto nível e é uma categoria onde escolheram correr, por isso tudo se resume a rodar rápido.´

Pensas que a electrónica ou os pneus têm mais influência que a qualidade dos pilotos?
`Não porque o talento dp piloto continua a ser muito importante. Quer dizer, tudo é importante como um todo. Pode-se ter a melhor moto, mas se o piloto não for bom não vai ganhar nada. Por outro lado, podemos ter o melhor piloto com a pior moto e também não vai ganhar nada. Tem de estar tudo no seu lugar. No ano passado diziam que alguns pilotos ganharam por causa dos pneus Bridgestone e este ano vê que isso não foi verdade. A Michelin fez um grande trabalho, mas tem a ver com a forma como as coisas mudaram neste negócio. O desenvolvimento tecnológico está é muito mais rápido que antes, por isso temos de investir muito mais na tecnologia. Mas como é legal temos de tirar vantagem disso. Mas não penso que isto eclipse os pilotos. Pode fazer com que alguns pareçam melhores do que realmente são, mas no final da contas os melhores pilotos estão sempre no topo.´

Parece que este ano não vão haver mais conversas sobre pneus...
`Não, não. Penso que se vai continuar a falar. Será interessante ver o que acontece quando formos para circuitos onde uma marca esteve a testar e a outra não. Depois veremos se há diferenças entre elas. Vai continuar a ser um aspecto importante e continuará assim enquanto existir mais que uma marca. Mas não creio que seja tão importante como algumas pessoas queriam fazer querer no ano passado.´

Há dois pilotos na Repsol Honda com possibilidades de ganharem. Pensas que isto afecta as prestações dos pilotos e das suas equipas técnicas, ou não? Esta competitividade beneficia as duas partes?
`Penso que é gerível. No final das contas os pilotos querem sempre vencer por eles, não pela equipa ou qualquer outra coisa. Querem vencer o Campeonato do Mundo por si. Estamos todos atrás do mesmo aqui: ganhar corridas. Provavelmente é mais difícil se não ganharmos corridas ou se não estivermos na frente porque o outro piloto recebe mais atenções. No fim, estão todos a lutar pelo mesmo: todos querem ganhar corridas.´

Entrevista cortesia da Repsol Honda

Tags:
MotoGP, 2008, Repsol Honda Team

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