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Bautista: "Estou nesta equipa para dar um passo em frente"

Bautista: "Estou nesta equipa para dar um passo em frente"

Em plena contagem regressiva para o Teste Oficial de Jerez da próxima semana, o espanhol falou com o motogp.com sobre os desafios que tem pela frente este ano, os favoritos na corrida ao título e renovadas esperanças que se respiram na equipa San Carlo Honda Gresini depois do duro golpe que foi a morte de Marco Simoncelli.

De regresso de Itália, onde esteve na semana passada para a apresentação oficial do ambicioso projecto da San Carlo Honda Gresini, Álvaro Bautista ultima a sua preparação física. Após uma sessão de Supermotard o piloto espanhol falou largamente sobre os objectivos a que se propôs no seu terceiro ano na categoria rainha, do trabalho que ainda tem pela frente no Teste Oficial de Jerez e do compromisso que representa assumir a posição de Marco Simoncelli na equipa.

Esta semana estiveste na apresentação da San Carlo Honda Gresini. Que sensações tiveste em Milão? Que atmosfera se respira na equipa perante o início, em breve, do Campeonato?

“É uma situação muito diferente da do ano passado. Em 2011 era o único piloto da Suzuki e este ano estou na equipa Gresini, que está presente nas três categorias do Campeonato... Tive a oportunidade de conhecer os patrocinadores, o pessoal que trabalha na equipa, e toda a gente está muito optimista. Depois do final do ano passado, que foi muito duro, parece que as pessoas estão com muita vontade de voltar a conseguir bons resultados e o ambiente é muito positivo e motivador.”

Este é um ano de grandes mudanças para ti, não apenas pela cilindrada, mas também porque estás numa nova equipa e com moto diferente. Como foi a adaptação a todos estes elementos na pré-época?

“De momento, os treinos que fizemos correram muito bem. Mudou a cilindrada, mas a moto também, é muito diferente da Suzuki que pilotei até agora no MotoGP. Tem muito mais electrónica e tive de aprender a pilotá-la porque tem muito mais potência que a 800cc. Coloquei-a a meu gosto e adaptei-me muito bem a ela. O balanço foi positivo porque melhorei a cada vez que andei com a moto. As sensações são boas. Ainda há muito trabalho pela frente, mas creio que estamos no bom caminho para continuar a melhorar.”

As últimas referências da pré-época são as do segundo teste de Sepang, nos finais de Fevereiro. Ficaste muito satisfeito nesse ensaio apesar da meteorologia vos ter feito ficar mais tempo nas boxes. O que ficou para fazer no Teste Oficial de Jerez na próxima semana?

“Nesse último teste não pudemos rodar muito, pelo mau tempo e pelo problema que houve com o motor do Pedrosa [contratempo que obrigou à verificação do propulsor no Japão e impediu todos os pilotos Honda de irem para a pista durante o segundo dia do teste]. Gostávamos de ter testado algumas coisas na geometria da moto que me permitiriam sentir-me mais confortável na moto, mas isso ficou pendente para Jerez. Sobre tudo, temos de encontrar uma boa base no que se refere à electrónica porque, como disse, esta moto tem muitos mais parâmetros que a Suzuki e temos de entender o que funciona e o que não. Vamos tentar colocar tudo no sítio para termos uma boa base porque dentro de duas semanas estaremos na primeira corrida.”

O que será preciso para saíres satisfeito de Jerez, ou pelo menos com a certeza de que chegas ao Qatar com o trabalho de casa feito?

“Antes de tudo, as minhas sensações. Se for capaz de terminar o teste com boas sensações ficaria contente, mas também há que ter em conta os tempos. A nossa referência é sempre tentar estar mais perto dos primeiros, estar colados a eles nos cronos e é esse o objectivo. Se em Jerez ficarmos perto será estupendo, se não teremos de continuar a trabalhar. No final, o que importa e o que dá pontos são as corridas.”

Faz agora quase um ano que regressavas do primeiro GP da temporada no Qatar com o fémur fracturado, com um pós-operatório complicado e com a época afectada desde o início. Até que ponto o acidente afectou o resto do ano e os teus resultados?

“Creio que influenciou muito. As coisas tinham corrida bastante bem na pré-época, tínhamos melhorado muito a moto, se bem que não estávamos satisfeitos com tudo, mas estávamos no bom caminho. Depois da lesão, não foram apenas as corridas perdidas, mas também o tempo que precisei para recuperar; perdemos muito no que toca ao desenvolver da moto e também precisei de tempo para recuperar a confiança e estar fisicamente a 100%. Creio que até meio do ano não fomos capazes de voltar ao mesmo ritmo que tínhamos antes da lesão, pelo que é claro que foi aborrecido. Podia ter sido um princípio de ano igual ao final, a rodar muito perto dos da frente... mas neste desporto este tipo de coisas podem acontecer e quando nos toca temos de ultrapassá-lo o mais depressa possível.”

Neste momento como estás fisicamente?

“Muito bem, este ano preparei-me a fundo porque a moto é uma 1000cc. Espero que esta forte preparação me ajude na moto para ver se me canso menos e se rendo o máximo.”

Este ano contas com uma RC213V, a mesma moto do Stoner e Pedrosa, que foi a referência da pré-época. Vais competir de igual para igual com eles, ou a tua moto terá diferenças face às da equipa oficial?

“Em teoria, as quatro Hondas na grelha, as da equipa oficial, a do Bradl e a minha, partem com a mesma base em termos de material e electrónica. A única diferença é que a minha moto vai usar forquilhas e amortecedores Showa em vez dos Öhlins como as outras; e o travões, que são Nissin. São as únicas diferenças. A Showa quer voltar ao Mundial, esteve no Campeonato toda a vida e propuseram-nos a posição de piloto de fábrica da marca para fazermos o desenvolvimento. A fábrica está muito envolvida e de momento parecem funcionar sem problemas. Tirando isso, as motos serão iguais à partida. Logo, à medida que forem surgindo evoluções é claro que as oficiais terão preferência.”

Começas o Campeonato com uma carenagem negra pouco usual, uma primeira homenagem ao Marco Simoncelli nesta tua nova etapa e que marca a tua chegada à Honda Gresini...

“Sim, é uma pequena mostra de respeito. Começamos com uma carenagem negra – nos outros anos a moto era totalmente branca – e este ano, em sinal de respeito, um pouco como a nossa mostra de luto por assim dizer, começamos com uma moto negra, mas ao longo da temporada irá mudando de cor para que finalmente termine branca.”

De todas as formas, a melhor homenagem que poderias fazer ao Marco seria dedicares-lhe o teu primeiro pódio na categoria rainha...

“Oxalá! Seria claramente uma grande homenagem e vamos lutar por isso”

Como é para ti ocupar o lugar de um piloto que deixou um vazio tão grande na comunidade do MotoGP e entre os fãs? Sentes-te condicionado de alguma forma?

“Bem, tento nem pensar nisso. Estou numa equipa muito profissional e tento concentrar-me no trabalho e no que é meu. Mas numa situação como esta há sempre alguma coisa que nos faz lembrar do piloto que estava na equipa. Estou a trabalhar com outros técnicos e mecânicos e a situação não é bem a mesma, não sinto que tenha todo o peso e responsabilidade nas costas. Simplesmente tenho a oportunidade de contar com bom material e há que tentar tirar partido disso.”

Em qualquer dos casos, crês que em nível técnico a equipa e a moto que tens este ano à tua disposição ter permitirão dar um salto qualitativo nos teus resultados?

“Sim, estou nesta equipa para isso, para tentar dar um passo em frente. Esta equipa conta sempre com bom apoio da HRC e bom material. Este ano temos de novo o apoio da Honda e em princípio vamos contar com material para tentar lutar por bons resultados. Acredito na equipa e a equipa acredita em mim; juntos e com o apoio da Honda creio que podemos fazer um papel.”

O suficiente para te incluíres nas listas de aspirantes e favoritos ao título em que não te costumam incluir?

“De momento é assim. Os favoritos lógicos são o actual Campeão, o Stoner, o vice-Campeão, que é o Lorenzo, o Pedrosa, que também tem de dar esse pequeno salto que lhe falta, o Dovizioso, que foi o terceiro. Creio que há candidatos para lutar pelo Campeonato... Nós, nestas últimas temporadas fizemos um bom trabalho, mas um pouco à sombra dos primeiros. Por isso, não é de estranhar que não me incluam entre os favoritos. O nosso objectivo é estar lá, mas de momento quem tem de defender o seu estatuto são os que estiveram na frente, nós vamos tentar lá chegar, mas ainda estamos atrás deles.”

Tags:
MotoGP, 2012, Alvaro Bautista, San Carlo Honda Gresini

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