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Um Rossi mais pessoal confessa-se em Misano

Um Rossi mais pessoal confessa-se em Misano

Valentino Rossi abre-se a temas mais pessoais numa entrevista realizada para a Movistar TV por Ernest Riveras. No circuito que considera casa, e onde neste sábado conseguiu um disputadíssimo posto na primeira linha da grelha, o italiano fala da família, da importância de contar com bom ambiente na equipa e também dos rivais do passado e presente.

A poucos quilómetros do circuito de Misano, na costa de Rimini, está Tavullia, essa povoação que poucos conheceriam fosse a terra natal e local de refugio de Valentino Rossi. A prova deste fim‑de‑semana no circuito do Adriático tem, por isso, significado verdadeiramente especial para o nove vezes Campeão do Mundo.
 
“É difícil. Por um lado, é muito bonito porque depois desta entrevista, quem sabe, talvez vá a casa comer, mas também há muitos amigos e toda a família que quer ir ver a corrida… é difícil, há que gerir bem a situação,” conta o piloto da Yamaha que aceita falar dos que lhe estão mais próximos:
 
“Graziano? [seu pai] Sim, é verdade, este ano veio a menos corridas, mas vem quando pode. Falamos sempre de coisas ‘técnicas’, às vezes explica-me como consigo andar bem, ou o motivo pelo qual não consegui ganhar a alguém. É sempre muito divertido tentar explicar-lhe o trabalho que se faz na moto e também ouvir o seu ponto de vista.”
 
“A Stefi [Stefania, sua mãe] também vem a algumas corridas, não vem sempre, mas está bem assim porque ela fica tensa quando vem às corridas e isso causa-me impressão; assim, só vem de vez em quando. Ele também acha que sabe muito de motos; fala-me do pneu dianteiro, da afinação, de fazer as curvas rápidas e digo-lhe ‘sim, mãe, está bem, está bem…’,” si-se o ídolo italiano que reconhece que para o também piloto Luca Marini, não é fácil ser irmão de Valentino Rossi…
 
“Sim, para ele é difícil, muito. Tem vantagens, mas também tem muitos inconvenientes. Na verdade, teve muita coragem ao escolher ser motociclista. Mas é bom, é rápido… Temos um problema porque é muito grande, é mais alto que eu, mas gosta, é um apaixonado.”
 
Às voltas com o actual domínio de Marc Márquez no campeonato, Ernest Riveras recorda-o que quando ganhava com a Honda se dizia que a moto era decisiva, algo que actualmente não sucede com Marc…
 
“Sim. É isso mesmo que se está a passar com o Marc que torna um erro o que se passava comigo. As Honda estão muito fortes, é certo; provavelmente é a melhor moto neste momento. Mas de todas as formas, o Marc, que tanto este ano como no ano passado marcou a diferença, está numa situação exactamente igual à minha quando ganhava com a Honda. A Honda era a melhor moto, mas o Gibernau, o Biaggi, o Hayden, o Ukawa, etc, também tinham motos Honda. Mas, não se sabe porquê, eu ganhava porque tinha a Honda… e foi por isso que tive de ir para a Yamaha, mas creio ter demonstrado que ganhava porque era o mais forte.”
 
Já quanto à forma como celebrava as vitórias, Rossi agora mostra-se mais reservado. “Não [celebraria como dantes]. Creio que para fazer esse tipo de coisas é preciso ganhar e depois é necessário contar com algo muito especial.”
 
“Gostava, mas tinha nenhuma ideia em particular quando ganhei em Assen [no ano passado] e preferi desfrutar do triunfo em vez de pensar em qualquer outra coisa. Mas creio que é normal. Estou mais velho, já fiz as minhas coisas, mas se surgir uma ideia interessante ou divertida, porque não?”
 
Questionado sobre a importância de se rodear de uma equipa de pessoas de confiança, como fez Marc Márquez este ano, o italiano diz:
 
“Para mim é muito importante porque é necessário ter gente boa, hábil no seu trabalho, naturalmente, mas também é importante ter pessoas em quem podemos confiar e não há muitas, não é?… Gosto de ter um ambiente familiar quando nas corridas porque me faz sentir tranquilo e sei que posso concentrar-me apenas em pilotar a moto.”
 
Rossi aproveitou também para explicar um pouco melhor as declarações que fez recentemente sobre os dois anos que passou na Ducati, em particular as que foram interpretadas como arrependimento dessa decisão…
 
“Sinceramente, quando me perguntaram não me recordava muito bem. A frase estava dentro de uma coisa maior… no sentido de não me ter arrependido de ir para a Ducati, porque foi um desafio muito importante e se tivesse conseguido vencer com a Ducati teria sido algo muito especial porque era um piloto italiano com uma moto italiana. Mas disse que, lamentavelmente, foi um erro porque não o consegui e, por isso, se tivesse ficado na Yamaha certamente teria ganho outras corridas e lutado pelo Mundial, algo que não consegui com a Ducati. Mas se pudesse voltar atrás faria o mesmo.”
 
O que “The Doctor” não voltaria fazer é colocar um muro entre o seu lado da garagem e do colega de equipa Jorge Lorenzo.
 
“Não, não voltaria porque não sevou de nada. Esperava que, com o muro, os dados não passassem entre as duas equipas. Mas foi ao contrário, havia o muro mas os dados continuavam a passar. Mas… foi um erro da minha parte. Tudo começou porque eu, por tudo o que tinha feito pela Yamaha, porque depois de tantos anos sem ganharem os levei de volta às vitórias, esperava algo mais em termos de reconhecimento e que não me colocassem o Lorenzo na equipa porque o Jorge já era muito forte… Mas depois, com o passar dos anos e olhando para as coisas com cabeça fria, a Yamaha fez bem, tinha razão, porque o correcto é que uma equipa como a Yamaha Factory tenha dois pilotos que possam ganhar e o reconhecimento no desporto é algo muito abstrato… Mas é bom que assim seja, creio que tomaram a decisão certa e agora estou muito contente por fazer equipa com ele. Também porque, de início, no primeiro ano, ele aprendeu muito comigo, mas agora sou eu que também estou a aprender muito com ele. Por isso, o importante é tentar que tenhamos as motos na frente, tentar bater as Hondas e é mais fácil se formos dois. Mas o colega de equipa continua a ser o primeiro adversário…”
 
Por último, um olhar pelo passado para saber quais as figuras histórias contra as quais Valentino Rossi gostaria de ter competido: “Gostava de ver como corria Giacomo Agostini… e Mike Hailwood, sem dúvida. Provavelmente os dois maiores de sempre… Mas também gostava muito de ter corrida contra o Schwantz e o Rainey, que estiveram, em conjunto com o Doohan e o Lawson, naqueles anos históricos das 500cc.”

Tags:
MotoGP, 2014, GP TIM DI SAN MARINO E DELLA RIVIERA DI RIMINI, Valentino Rossi, Movistar Yamaha MotoGP

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