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Hayden: ‘Correr é a minha vida, a minha paixão, não apenas o meu trabalho’

Hayden: ‘Correr é a minha vida, a minha paixão, não apenas o meu trabalho’

Depois de duas operações ao pulso direito no espaço de apenas dois meses e após ter falhado quatro jornadas do Campeonato do Mundo de MotoGP™, Nicky Hayden, da DRIVE M7 Aspar, está finalmente de volta à acção este fim‑de‑semana em Aragão.

Hayden é um dos pilotos mais experientes e motivados do paddock e para ele, correr é viver. O “Kentucky Kid” é um ícone da actualidade do MotoGP™, irrepreensível em momentos de adversidade e um homem que não conhece o significado da palavra “NÃO”. Ele necessitou de toda a sua coragem e determinação ao longo dos últimos meses para ultrapassar a pior lesão da carreira. Agora, a longa espera terminou finalmente.
 
Explica-nos a operação a que foste submetido.
“Temos duas filas de pequenos ossos nos nossos pulsos. Eles removeram a fila de cima, a que estava danificada. Parece uma loucura, mas quando se vê os resultados no raio-X faz sentido.”
 
Qual era o problema principal? Dores, falta de sensibilidade, perda de força?
“Eram várias coisas. Nas últimas duas corridas antes de ter decidido ser operado, sabia que algo não estava bem, não conseguia pilotar como deve ser. A dor estava sempre presente, mas habituamo-nos a isso e aprendemos a viver com ela. Mas depois comecei a ter problemas com a estabilidade da articulação porque os ossos tinham saído do sítio e não estavam a trabalhar em conjunto. Quando fazia alguns movimentos sentia que algo não se estava a mover correctamente no meu pulso. Perdi mobilidade e força… foram vários os factores que me levaram a optar pela operação.”
 
Quem é que te convenceu a seres operado?
“Fui muito claro e o meu plano era muito simples desde o início: tratar do meu pulso e regressar às corridas o mais depressa possível. Quanto à operação em si, perguntei a vários médicos e recolhi várias opiniões. É claro que nem todos concordaram, mas tentei recolher o máximo de informação possível antes de ir em frente com a operação, o que incluiu falar com outros pilotos que tinham tido lesões semelhantes.”
 
Quanto tempo tiveste de ficar totalmente inactivo?
“Os primeiros dez dias depois da operação foram de descanso total, pelo que fiquei em San Diego com a mão totalmente imobilizada. Depois colocaram-me uma tala amovível, que podia tirar para tomar banho e limpar a ferida.”
 
Quando começaste a reabilitação e em que consistiu ao certo?
“Cerca de duas semanas depois comecei ao poucos a mexer os dedos e foi nessa altura que iniciámos a reabilitação. Depois de alguns dias comecei a treinar um pouco, treino estático de baixa intensidade. Ao mesmo tempo, fiz todos os tipos de diferentes terapias, como laser, terapia magnética, ultra-sons, injecções de plasma… De início foi duro, fiz duas operações em apenas dois meses. Fui operado em Junho e depois algo mais sério em Julho. Há três meses que lidava com a lesão e, inevitavelmente, os músculos deterioram-se nesta situação. Os ossos da minha mão também estava muito rígidos.”
 
Em que altura conseguiste voltar ao treino completo?
“Bem, não diria que foi numa altura específica, foi mais uma questão gradual. De início foi com uma BTT estática para manter os níveis físicos, depois introduzimos algum trabalho de piscina e depois disso voltei ao ginásio para condicionamento geral e algum trabalho específico do tronco e pernas. Combinei o programa de reabilitação com o resto, alguma corrida e a minha rotina normal. Pode dizer-se que comecei com o descanso de que necessitava após a operação, depois a reabilitação e então o regresso aos treinos em combinação com a reabilitação.”
 
O que disseram os médicos?
“Tenho de dizer que o médicos me aconselharam a começar a mexer a mão muito pouco tempo depois da operação. Mesmo assim, foi um procedimento delicado que necessitou de muito tempo de recuperação. O cirurgião está muito contente com o resultado e progressos desde então.”
 
Já conseguiste andar de moto? Como te sentes?
“Comecei a rodar outra vez na semana passada, uma 125cc de motocross em pista plana. Da primeira vez que rodei as sensações não foram muito boas, era claro que precisava de mais tempo, mas voltei a rodar umas vezes esta semana e as sensações foram muito melhores. Consegui rodar sem pensar na mão, o que me deixou satisfeito. É claro que foi um período de preocupações e tive de gerir esta lesão durante muito tempo. Houve momentos em que duvidei das coisas.”
 
Como foi, para um lutador como tu, teres de ficar em casa durante quatro corridas?
“Ir a Indianápolis como espectador, ver as corridas na televisão… foi duro, mas só gastei energia na minha recuperação. Trabalhei muito para garantir que a recuperação era rápida e o mais favorável possível. Agora é tempo de voltar e não podia estar mais contente com isso. Correr é a minha vida, a minha paixão, não apenas o meu trabalho. Estou muito contente por poder atirar esta lesão para trás das costas e começar a pensar em ver a minha equipa e rodar com a moto. Não vai ser fácil, mas estou pronto para voltar a correr.”
 
O que esperas do regresso em Aragão?
“Vai ser duro voltar ao ritmo depois de tanto tempo de foram, mas estou pronto para trabalhar arduamente e enfrentar qualquer desafio que surja pela frente. Infelizmente, não tenho a minha máquina de MotoGP em casa para treinar com ele e ver como me sinto! Os travões, os pneus… não há forma de reproduzir as exigências de pilotar uma MotoGP foram do circuito, pelo que estou desejoso por voltar a montar a minha Honda e ver o que acontece. Não vale a pena traçar objectivos, temos apenas de ir para Aragão e trabalhar muito, depois veremos. Foi um período duro, mas o apoio da família, equipa e fãs foi fundamental para me manter optimista e determinado.”

Tags:
MotoGP, 2014, GRAN PREMIO MOVISTAR DE ARAGÓN

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