Marks fala sobre Fernández, Ogura e a ascensão da Trackhouse: “Um novo projeto libera potencial, o desafio é mantê-lo”

O proprietário da equipe falou bastante no pit lane nesta sexta-feira, trazendo informações interessantes sobre a ascensão da equipe, seus pilotos e suas ambições

Justin Marks está em casa, literalmente, em Silverstone, e o proprietário da SuperFile Trackhouse MotoGP conversou com o repórter do pit lane Jack Appleyard nesta sexta-feira. O resultado foi uma conversa breve, mas bastante abrangente, sobre a ascensão da equipe, seu presente e seu futuro, incluindo a recente renovação de Raúl Fernández.

“Raúl é praticamente o original da Trackhouse”, começa Marks. “Ele trabalhou muito ao longo dos anos, confiou na equipe, amadureceu bastante e esses contratos levam tempo. Houve um período neste ano em que ele não sabia se seria renovado ou não, até começarmos as conversas. Durante esse período de incerteza, ele conseguiu deixar isso de lado, ir para a pista e fazer seu trabalho, o que demonstra resiliência e maturidade. Ele é uma peça importante desta equipe. Agora está realmente atingindo um novo patamar como piloto, há grandes coisas pela frente em seu futuro e, por isso, merece continuar na Trackhouse.”

Sua permanência agora se estenderá até 2028, entrando na nova era do regulamento da MotoGP, depois de fazer parte da equipe desde sua estreia em 2024. Ele também conquistou a primeira vitória da Trackhouse em um Grande Prêmio, na Austrália no ano passado, e já soma duas vitórias em Sprints em 2026. Sua impressionante evolução reflete, de certa forma, a trajetória da própria equipe. Mas a questão da paciência, depois de Fernández passar algumas corridas sem saber ao certo onde competiria após 2026, é um tema ao qual Marks retorna.

“Eu estava curioso para ver como ele reagiria”, continua o americano. “Não foi intencional, não fizemos isso de propósito, simplesmente houve um período em que não podíamos dar respostas a ele, porque estávamos definindo o futuro da nossa equipe, o que aconteceria depois de Ai Ogura e tudo mais. E vê-lo absorver todo esse estresse e essa incerteza e canalizar isso para seu desempenho na pista mostra o que os grandes pilotos precisam fazer. Se quisermos conquistar um campeonato neste nível, o estresse e a pressão só vão aumentar cada vez mais, e você precisa continuar entregando resultados. Ele é um cara incrível, tornou-se um grande amigo e faz parte da família aqui na Trackhouse.”

Essa “família” vem causando uma forte impressão desde que chegou ao grid em 2024. À primeira vitória com Raúl Fernández na Austrália na temporada passada somou-se outra com Ai Ogura neste ano, a primeira vitória do japonês na MotoGP, além das vitórias em Sprints e dos pódios em Grandes Prêmios que já formam um currículo considerável. Marks compara essa trajetória ao início da equipe na NASCAR, onde a operação irmã também causou impacto rapidamente.

“Não é muito diferente de como foi com nossa equipe da NASCAR no início, porque a empolgação, o entusiasmo e a inspiração em torno de um novo projeto despertam o potencial das pessoas. O desafio é manter isso por um longo período. As motos da Aprilia estão ótimas neste momento, temos dois pilotos vivendo alguns dos melhores momentos de suas carreiras e mecânicos e engenheiros que abraçaram completamente essa oportunidade. Então, quando tudo isso se junta de uma forma em que chegamos à pista sorrindo, aproveitando e empolgados com a oportunidade, é aí que a mágica acontece, e é exatamente onde estamos agora.”

E onde estão, mais especificamente, é na segunda colocação do campeonato de pilotos com Ogura e na sexta com Fernández. A equipe também ocupa o segundo lugar no campeonato de equipes e contribuiu para a liderança da Aprilia entre os construtores. Ainda assim, Marks ressalta que há um longo caminho entre o GP da Grã-Bretanha e o fim da temporada em Valência.

“Não estamos realmente pensando no campeonato, ainda há muitas corridas pela frente. O importante é executar bem, chegar à pista bem preparados e fazer nosso trabalho da melhor maneira possível. Então, se encararmos cada fim de semana, cada dia e cada sessão pensando no objetivo daquele momento, esperamos chegar a Valência em uma posição na qual possamos dizer: ‘certo, podemos lutar pelo campeonato’. Mas não vamos pensar nisso até a segunda-feira antes de Valência.”

Enquanto isso, Valência também marcará a despedida de Ogura da equipe. Já está confirmado que o japonês se transferirá para a Yamaha em 2027, e Marks se orgulha do período que passaram juntos, embora lamente que o fim dessa parceria já esteja definido.

“Eu não queria que Ai deixasse nossa equipe. Fiquei chateado com isso. Mas estou feliz por ele, porque esses pilotos precisam tomar as melhores decisões para suas carreiras, e estamos felizes por ele ter chegado a este ponto da carreira estando na nossa moto. Ele é um cara muito equilibrado e, quando a pressão aumenta, consegue chegar a um estado mental em que tudo se resume a fazer o trabalho e todo o resto vira apenas ruído. É uma característica importante e bastante especial, e ele definitivamente tem isso. Ele é um campeão e talvez um dia volte e faça isso nas nossas motos, mas, por enquanto, queremos aproveitar ao máximo a oportunidade de ter um jovem piloto incrível.”

Já próximos da frente em Silverstone, outros 37 pontos estarão em disputa no GP da Grã-Bretanha, e os dois pilotos da Trackhouse são fortes candidatos a se tornarem o 12º vencedor diferente em 12 edições. Nem Fernández nem Ogura venceram na MotoGP em Silverstone, então acompanhe para descobrir se um deles conseguirá manter essa sequência.

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