Fabio Quartararo começou no motociclismo aos quatro anos. Sim, quatro. Desde cedo, já era tratado como uma joia rara. Em 2014, conquistou o título da Moto3™ no FIM CEV Repsol e, no ano seguinte, com apenas 15 anos, estreou no Mundial pela Estrella Galicia 0,0. A expectativa era enorme - talvez até grande demais. Em 2015, mostrou velocidade, subiu ao pódio duas vezes, mas a falta de regularidade e uma lesão complicada no fim do ano frearam o embalo. Em 2016, mudou para a Leopard Racing, ainda com Honda, mas não conseguiu pódios. Em 2017, apostou na Moto2™ com a Pons HP 40, também sem subir ao top 3. A virada começou em 2018, já pela Speed Up Racing. Veio a primeira vitória no Mundial, na Catalunha, seguida de pódio em Assen. Aos 19 anos, o francês reaparecia no radar como promessa concreta - e isso abriu a porta da MotoGP™ com a recém-criada Petronas Yamaha SRT. E 2019 foi aquele ano em que o paddock olhou e pensou: “tem algo diferente aqui”. Sete pódios, seis poles, Rookie do Ano e quinto no campeonato. Nada mal para quem estava só começando na categoria principal.
Em 2020, com a lesão de Marc Márquez mudando o cenário da disputa, Quartararo surgiu como favorito após um início fulminante com duas vitórias em Jerez. Mas a temporada curta e intensa cobrou seu preço. A falta de regularidade e dificuldades com a nova M1 fizeram o rendimento oscilar. Nem a vitória na Catalunha foi suficiente para manter a consistência, e ele terminou o ano em oitavo. A resposta veio em 2021. Promovido à equipe oficial da Yamaha, Quartararo entregou dez pódios, cinco vitórias e o título mundial com três etapas de antecedência, em Misano. Um marco histórico: o primeiro francês campeão da MotoGP™ desde a criação do campeonato, em 1949. “El Diablo” deixava de ser promessa para virar referência. Em 2022, a defesa do título começou forte, com vitórias em Portimão, Catalunha e Sachsenring. Liderava o campeonato antes da pausa de verão. Mas a segunda metade do ano foi mais complicada. A Yamaha perdeu competitividade, enquanto Francesco Bagnaia entrou em modo recuperação total — tirou 91 pontos de diferença e levou o título, impedindo o bicampeonato do francês. 2023 seguiu na mesma linha de dificuldades. Com uma M1 exigente e pouco competitiva, Quartararo conseguiu apenas três pódios e fechou o campeonato fora da briga direta pelo topo. Em 2024, o retorno às primeiras posições não aconteceu, mas houve sinais claros de evolução na segunda metade do ano, incluindo um forte desempenho na Malásia, com dois resultados entre os seis primeiros.
Já em 2025, apareceram novos lampejos. Segundo lugar no GP da Espanha e ritmo impressionante em Silverstone — até que um problema técnico o tirou da liderança e da chance de vitória. Detalhes que fazem diferença na MotoGP™. Agora, 2026 promete um novo capítulo para Quartararo e Yamaha, com a estreia do motor V4. A pergunta é inevitável: será essa a peça que faltava para recolocar a fábrica de Iwata no topo? Se há algo que a trajetória do #20 mostra, é que talento nunca foi o problema. A equação, agora, passa pela máquina.