Nascido para voar. Com nome de mocinho de Hollywood (Maverick é o personagem de Top Gun, filme onde os ases eram indomáveis com os caças norte-americanos), Maverick Viñales foi batizado já com previsão de voar... Baixo. Se existe um piloto que aprendeu desde cedo a conviver com a palavra “talento”, esse piloto é Viñales. Campeão do CEV em 2010 e do Europeu de 125cc, ele chegou ao Mundial já acelerando forte. Em 2011, na 125cc, foi Rookie do Ano com quatro vitórias e terceiro lugar no campeonato. Nada mal para quem estava só começando.Em 2013, veio o primeiro grande capítulo: campeão mundial de Moto3™ em Valência, num desfecho daqueles em que o desfibrilador deve estar perto dos cardíacos. O título veio na última curva, da última volta, da última etapa. Foram 15 pódios na temporada - regularidade de quem sabia exatamente o que estava fazendo. No ano seguinte, já na Moto2™, repetiu o roteiro: quatro vitórias e mais um prêmio de Rookie do Ano.
A passagem pela categoria intermediária foi rápida. Em 2016, “Top Gun” desembarcou na MotoGP™ com a Suzuki e, pela terceira vez na carreira, levou o troféu de melhor estreante. De quebra, entrou para a história da fábrica japonesa ao conquistar a primeira vitória da marca desde 2007, com triunfo na Grã-Bretanha e quatro pódios no total antes de encerrar o ciclo. Em 2017, assumiu o lugar de Jorge Lorenzo na Yamaha e começou voando: venceu as duas primeiras corridas do ano. Mas a temporada foi perdendo fôlego. Ainda assim, fechou com sete pódios e chances matemáticas de título até as etapas finais. Em 2018, a expectativa era dar o salto definitivo, mas os problemas da M1 limitaram o avanço. Foram quatro pódios e uma vitória muito celebrada na Austrália, encerrando um longo jejum da marca. O roteiro de 2019 começou irregular, com quedas e apenas um pódio nas sete primeiras corridas. Mas a vitória em Assen reacendeu a chama. Depois vieram Alemanha, Malásia e mais três pódios para fechar o ano em alta. Em 2020, dois pódios logo na abertura em Jerez animaram o cenário, mas, apesar da vitória na Emilia-Romanha, terminou apenas sexto no geral. 2021 parecia um recomeço ao lado de Fabio Quartararo. Vitória na estreia, segundo lugar em Assen… e então a reviravolta. Após a etapa da Estíria, veio a suspensão e a separação imediata da Yamaha. Fim de ciclo antes do previsto.
Poucas semanas depois, a Aprilia confirmou Viñales para 2022 ao lado de Aleix Espargaró - e ele já estreou em Aragão. O início foi complicado, levantando dúvidas sobre a escolha. Mas a reação veio com três pódios em quatro corridas (Assen, Silverstone e Misano). Em 2023, abriu o ano com pódio em Portugal, viveu altos e baixos, somou mais dois top 3, mas sem vitórias. Até que 2024 trouxe um marco: vitória histórica no GP das Américas, tornando-se vencedor na MotoGP™ com três fabricantes diferentes. Um feito que poucos conseguem sequer imaginar. Ainda assim, não voltou ao pódio nas corridas de domingo naquele ano. Em 2025, nova mudança: Red Bull KTM Tech3. A adaptação foi rápida, pontos desde o início e top 5 no GP da Espanha. Mas a temporada sofreu um duro golpe na Alemanha, com uma lesão no ombro que o afastou por três etapas. O fim do ano foi de recuperação e foco total na forma física. Agora, olhando para 2026, fica a pergunta que paira no paddock: será que Maverick Viñales pode se tornar o primeiro piloto da era moderna a vencer na MotoGP™ com quatro fabricantes diferentes? Se alguém gosta de novos desafios, é o #12. E a história dele mostra que nunca dá para tirar esse nome da equação cedo demais.