Poderia a primeira etapa ter sido ainda melhor para a Aprilia Racing na Tailândia? Poderia. A queda de Marco Bezzecchi na Tissot Sprint ainda deixava um gosto amargo, mesmo depois da vitória dominante no Grande Prêmio de domingo. Ainda assim, se alguém tivesse oferecido aquele resultado à fábrica de Noale antes mesmo de as motos irem para a pista na sexta-feira, é provável que a marca italiana aceitasse sem pensar duas vezes.
Antes da abertura da temporada 2026, a pré-temporada já parecia promissora para a Aprilia. Especialmente quando Jorge Martin voltou ao box da equipe e imediatamente mostrou sinais do campeão mundial de 2024, mesmo após passar por duas novas cirurgias durante o inverno e sem participar do teste de Sepang. Do outro lado do box, Bezzecchi foi rápido tanto em volta única quanto em ritmo de corrida. Já na Trackhouse MotoGP, Ai Ogura fez a melhor simulação de Sprint entre todos. Raul Fernandez teve um pouco mais de dificuldades, mas o vencedor do GP da Austrália de 2025 estava longe de ser lento.
Como o próprio Bezzecchi fez questão de lembrar, testes são apenas testes. Pode parecer óbvio, mas o terceiro colocado do Mundial de 2025 tinha razão ao fazer esse comentário. Mesmo com o entusiasmo em torno da Aprilia, Bez manteve os pés no chão.
E havia motivo para isso. A Ducati ainda parecia ser a fabricante a ser batida. Por pouco, mas ainda era. Não se descarta os campeões depois de apenas cinco dias de testes. Ainda assim, a diferença entre as duas fábricas italianas já havia diminuído na temporada passada, quando Bezzecchi e Fernandez começaram a conquistar vitórias. Ao que tudo indica, o trabalho da Aprilia durante o inverno ajudou a aproximar ainda mais as duas marcas.
Ainda assim, a Ducati domina a MotoGP há várias temporadas por uma razão. E, mais importante, conta com um sete vezes campeão mundial de MotoGP no comando. Do outro lado do box vermelho também há um bicampeão mundial.
Dito isso, a Aprilia dificilmente poderia ter começado a temporada de forma mais convincente para mostrar que pode lutar pelo título. A vitória de Bezzecchi no Grande Prêmio fez dele o primeiro piloto da Aprilia a vencer três corridas consecutivas na MotoGP, depois dos triunfos em Portimão e Valência no fim da temporada passada. Foi também a primeira vez que Bezzecchi venceu três corridas seguidas na categoria e sua quarta vitória com a Aprilia, superando Aleix Espargaro como o piloto mais vitorioso da marca na MotoGP.
O terceiro lugar de Raul Fernandez no domingo garantiu ao #25 seus dois primeiros pódios consecutivos na MotoGP. Jorge Martin terminou em quarto com uma atuação forte, igualando seu melhor resultado com a equipe oficial. Ai Ogura, que ficou frustrado com o quinto lugar depois de uma primeira metade de corrida complicada, também igualou seu melhor resultado na categoria. Com isso, a Aprilia colocou quatro pilotos entre os cinco primeiros de um Grande Prêmio pela primeira vez na MotoGP.
Mas não é um piloto da Aprilia que lidera o campeonato neste início de temporada. Vestindo laranja, Pedro Acosta também garantiu um excelente fim de semana para a Red Bull KTM Factory Racing na Tailândia. O vencedor da Sprint e segundo colocado no domingo chega ao Brasil como líder do campeonato após mais uma atuação forte no Chang International Circuit. O #37 tem sete pontos de vantagem sobre Bezzecchi e nove sobre Raul Fernandez, terceiro colocado. Martin e Ogura aparecem em quarto e quinto, enquanto Brad Binder, companheiro de equipe de Acosta, é o sexto.
E a primeira Ducati na classificação depois da primeira etapa? Fabio Di Giannantonio, da Pertamina Enduro VR46 Racing Team, em sétimo. A impressionante sequência recorde de 88 pódios consecutivos da Ducati chegou ao fim no domingo. Com Diggia terminando em sexto, foi a primeira vez desde o GP da Europa de 2020 que nenhuma Ducati terminou entre os cinco primeiros.
Essa sequência da Ducati teria de acabar em algum momento, mas poucos imaginariam que isso aconteceria em Buriram. E, embora os atuais campeões deixem a Tailândia com um resultado abaixo do esperado, seria ingênuo pensar que não vão reagir quando o campeonato chegar ao Brasil para a segunda etapa. Depois disso, a MotoGP segue para o Circuito das Américas, tradicional território de Marc Marquez, para a terceira etapa.