Nascido em Roma, filho de mãe brasileira e pai italiano, Franco Morbidelli sempre carregou duas bandeiras no coração... E também no capacete. Verde, amarelo, vermelho e branco dividindo espaço a cada volta. Uma identidade que ele nunca escondeu e que ajudou a construir a própria narrativa dentro do paddock. A estreia no Mundial veio como wildcard em 2013, no GP de San Marino. Ainda naquele ano, disputou as duas últimas etapas da Moto2™ com a equipe Gresini. O crescimento foi gradual. Em 2015, já em sua segunda temporada completa na categoria intermediária, conquistou o primeiro pódio antes de sofrer uma fratura de tíbia e fíbula que interrompeu o embalo. Em 2016, mostrou que estava pronto para algo maior: oito pódios, cinco deles nas cinco corridas finais do ano. Faltava a vitória, mas o aviso estava dado. E ela viria no momento certo. Em 2017, pela Estrella Galicia 0,0 Marc VDS, Morbidelli fez uma temporada praticamente impecável e conquistou o título mundial da Moto2™. Campeão com autoridade, e dando um gostinho de “Brasil” ao – até então – carente torcedor brasieiro.
O passo seguinte foi natural: MotoGP™ em 2018, com a mesma estrutura. Rookie do Ano na categoria principal e oitavo lugar na Austrália como melhor resultado. Um primeiro ano sólido na elite. Em 2019, trocou a Honda pela Yamaha da Petronas SRT. Terminou o campeonato em décimo, ainda à sombra do impacto imediato do companheiro de equipe, Fabio Quartararo. Mas 2020 mudou completamente o cenário. Com a M1 do ano anterior, Morbidelli foi o coadjuvante que virou protagonista. O primeiro pódio na classe rainha veio em Brno — e depois disso, três vitórias e o vice-campeonato mundial. Um salto de qualidade que colocou o ítalo-brasileiro de vez entre os grandes nomes da categoria. Em 2021, passou a dividir box com seu mentor, Valentino Rossi. Mas a temporada foi marcada por altos e baixos, principalmente pelos problemas no joelho que o levaram a uma cirurgia e o afastaram por cinco corridas. Retornou em Misano já como piloto da equipe oficial Yamaha, ocupando a vaga deixada por Maverick Viñales. Mudança rápida, cenário turbulento.
Em 2022 e 2023, como piloto de fábrica em tempo integral, as expectativas eram altas. No papel, duas oportunidades valiosas de brigar pelo título. Na prática, a competitividade não apareceu. Resultados discretos e dificuldades para extrair o máximo da M1 culminaram na separação definitiva entre Morbidelli e Yamaha ao fim de 2023.A virada veio em 2024, com a ida para a Prima Pramac Racing. Novo ambiente, nova fase. E em 2025, o desafio foi ainda mais simbólico: integrar o Pertamina Enduro VR46 Racing Team. O início foi promissor, com pódios na Argentina e no Catar. Morbidelli fechou o ano em sétimo no campeonato, mesmo após sofrer uma lesão na mão na final de Valência, consequência de uma queda ainda no grid de largada. Para 2026, ele segue com a VR46, buscando transformar os sinais positivos da temporada passada em consistência ao longo do campeonato. Franco Morbidelli é daqueles pilotos que já provaram que podem chegar ao topo. A questão, agora, é alinhar momento, equipamento e regularidade. Talento — isso ele já mostrou que tem. E carrega duas nações junto com ele a cada largada.