Todos recuperados? Ansiosos? Depois de um "longo inverno", a abertura da temporada na Tailândia não decepcionou, com duas brigas espetaculares, dando início à temporada 2026. Agora seguimos para o Brasil pela primeira vez em mais de duas décadas, voltando a correr em Goiânia, que esteve no calendário em 1987, 1988 e 1989 e com um líder inédito: Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory Racing). Os ingredientes são dignos de um empadão goiano de respeito, o prato mais apreciado do Cerrado: temos o herói da casa, uma nova ordem no grid até aqui e tantas incógnitas espalhadas pelo pelotão que é impossível prever o que vem pela frente. Se Buriram já foi imprevisível o suficiente, o Brasil pode ser ainda mais, já que os 22 pilotos se preparam para encarar um circuito totalmente novo para todos. Tudo será novidade para o grid.
NA LIDERANÇA: ACOSTA E KTM
Controverso para alguns, mas com uma vitória maiúscula de estreia na Tissot Sprint para Pedro Acosta na Tailândia. O duelo intenso, sem espaço para ninguém, entre o #37 e Marc Marquez (Ducati Lenovo Team) foi uma maneira incrível de começar 2026. Depois de confirmar o grande sábado com outra atuação valente e um pódio no domingo, o Tubarão chega aos mares brasileiros como o "Rei do Oceano": é líder do campeonato - e à frente do pelotão da MotoGP. Avitória de domingo, que ele tanto desejava, não veio. Mas o fim de semana mostrou que foram dados passos importantes em relação ao mesmo momento da temporada passada. Será que a primeira vitória de 25 pontos pode vir em Goiânia? Aliás, essa é uma das perguntas que todos fazem sobre o primeiro grande candidato ao título.
Do outro lado do box da Red Bull KTM Factory Racing, Brad Binder também teve um fim de semana positivo na Tailândia. Acosta roubou grande parte dos holofotes da KTM, mas o sul-africano terminou duas vezes entre os sete primeiros e chega à segunda etapa em sexto no campeonato. Isso certamente aumentará ainda mais a motivação de Enea Bastianini e Maverick Viñales na Red Bull KTM Tech3. Viñales, que mostrou grande potencial no teste de Sepang, teve um fim de semana discreto em Buriram, enquanto Bastianini garantiu um 12º lugar e alguns pontos para a equipe. Com Acosta liderando o campeonato e Binder mostrando bom ritmo, está claro que há velocidade na RC16 para os dois vencedores da MotoGP da equipe Tech3 explorarem.
SURGE A APRILIA
Eles já davam sinais de evolução na pré-temporada, mas confirmar isso em um Grande Prêmio é outra história. E no domingo à tarde, Bezzecchi e a Aprilia foram simplesmente imbatíveis. Acosta pode liderar o campeonato, mas ao sair da Tailândia, a sensação que ficou foi de que uma fábrica conseguiu diminuir a diferença para a Ducati. Talvez até mais do que isso.
Ainda é cedo para afirmar, mas em um circuito onde Marc Marquez e a Ducati dominaram no ano anterior, Bezzecchi foi o piloto mais impressionante. Bez cometeu um erro na Sprint, mas garantiu a pole com recorde de volta e venceu com autoridade no domingo. Somado ao duplo pódio de Raul Fernandez (Trackhouse MotoGP Team), ao retorno de Jorge Martin (Aprilia Racing) a um nível mais próximo do que mostrou na campanha do título de 2024 e ao top 5 de Ai Ogura (Trackhouse MotoGP Team) no Grande Prêmio, o time de Noale teve um fim de semana excelente em Buriram. Os quatro chegam ao Brasil ocupando as posições P2, P3, P4 e P5 no campeonato. Agora o desafio é confirmar o sucesso da Tailândia em um território desconhecido para todos.
DUCATI EM BUSCA DA RECUPERAÇÃO
Buriram certamente não foi o resultado que os campeões esperavam para a primeira etapa - nem o que muitos imaginavam. Mas isso, amigos, é MotoGP. Mesmo após perder a impressionante sequência de 88 pódios consecutivos, a Ducati está longe de estar fora da disputa e a missão agora é reagir no Brasil. Fabio Di Giannantonio (Pertamina Enduro VR46 Racing Team) chega à América do Sul como o melhor piloto da Ducati no campeonato. O italiano demonstrou otimismo na Tailândia, apesar de também lamentar alguns maus momentos, então talvez a sorte mude em Goiânia.
E é isso que o atual campeão da MotoGP, Marc Marquez, também espera. Um furo no pneu traseiro tirou do Formiga Atômica a chance de pódio no domingo na Tailândia, e o heptacampeão começa a etapa do Brasil 23 pontos atrás de Acosta. Ninguém, porém, está descartando o campeão do mundo, especialmente em um circuito novo para todos. Em pistas inéditas, o histórico de Marc Marquez é simplesmente impressionante. Foi quem mais venceu. As novas pistas gostam de Marquez, e Marquez adora as novas pistas...
Do outro lado da garagem vermelha, a falta de confiança na dianteira e condições diferentes das do teste prejudicaram um fim de semana que parecia promissor para Pecco Bagnaia (Ducati Lenovo Team). Tanto o italiano quanto o vice-campeão do ano passado, Alex Marquez (BK8 Gresini Racing MotoGP), tiveram um fim-de-semana para esquecer. Alex saiu de Buriram sem pontos, enquanto Pecco somou oito. Se for confirmado o retorno de Fermin Aldeguer - que depende do exame final aprovado - ele tentará voltar já aproveitando o aprendizado da equipe para encontrar respostas ao retornar à BK8 Gresini Racing MotoGP.
Atrás de Di Giannantonio e Marc Marquez no campeonato aparece Franco Morbidelli (Pertamina Enduro VR46 Racing Team), que mostrou bons momentos de velocidade na pré-temporada e na Tailândia. Um fim de semana especial chega para o piloto - filho de mãe brasileira e pai italiano - que certamente vai querer lutar por um lugar do pódio e tornar a etapa ainda mais memorável.
DIOGO MOREIRA CORRE EM CASA
Falando nisso, uma recepção muito calorosa promete esperar o herói da casa Diogo Moreira (Pro Honda LCR) neste fim de semana. O estreante da MotoGP chega ao Brasil já tendo pontuado em sua primeira corrida na categoria rainha. Foi um fim-de-semana discreto, mas sem deixar de ser impressionante. Agora, com o apoio da arquibancada e com ninguém no grid tendo experiência em Goiânia com uma MotoGP, novos pontos são absolutamente possíveis para Moreira em um fim de semana especial para o "camisa #11" do Brasil.
EM EVOLUÇÃO
Também foi um caso de falta de sorte para Joan Mir (Honda HRC Castrol) no domingo na Tailândia, depois que um problema o impediu de conquistar um bom resultado em pontos. Mir foi o destaque da HRC na primeira etapa, mas um top 10 para seu companheiro Luca Marini, pontos para Johann Zarco (Castrol Honda LCR) e para o próprio Diogo Moreira significaram um começo razoável para a Honda. Ainda assim, não é suficiente em relação aos objetivos da fábrica para 2026. A equipe mais vitoriosa da história da MotoGP ainda não está onde gostaria, mas o progresso é visível. A corrida de Mir no domingo mostrou isso e talvez o Brasil ofereça novas oportunidades.
EM BUSCA DE MAIS
Isso também vale para a Yamaha. A nova era da YZR-M1 com motor V4 não começou da forma ideal, mas houve pontos positivos e agora todos enfrentam um circuito desconhecido. Fabio Quartararo e Alex Rins, da Monster Energy Yamaha MotoGP, pontuaram na Tailândia, enquanto Toprak Razgatlioglu teve um fim de semana bastante sólido em sua estreia com a Prima Pramac Yamaha MotoGP. O estreante esteve próximo dos pilotos mais experientes apesar de tudo ser completamente novo para ele. Seu companheiro Jack Miller acumulou mais quilometragem enquanto a equipe busca evoluir. Os resultados talvez não sejam o foco principal no GP do Brasil, mas um novo circuito pode ajudar a Yamaha a se aproximar dos líderes.
Enfim, o Brasil abre suas portas para a segunda etapa. Ao olhar para os três dias de ação na pista, é impossível prever como a história vai se desenrolar. Mas será do jeito que a gente gosta. Já sabemos de um segredo: o vencedor será inédito! Brasil, você está pronto?