A espera finalmente acabou: a MotoGP está de volta. Neste fim de semana, o lendário circuito de Silverstone recebe o esporte mais emocionante do planeta, com a disputa pelo título mais equilibrada da história desembarcando no Reino Unido para dar início à segunda metade da temporada. Mas onde paramos?
MAIS EQUILÍBRIO DO QUE NUNCA: a disputa pelo título segue em aberto
Cinco pilotos estão separados por apenas 24 pontos, a menor diferença já registrada nesta fase do campeonato. Na liderança está Jorge Martín (Aprilia Racing), que mostrou momentos de absoluto domínio, como a dobradinha na França, mas que, acima de tudo, construiu sua campanha com muita regularidade. Desde então, porém, o espanhol já não tem sido o piloto mais rápido do grid. Será que conseguirá voltar a elevar o nível em Silverstone? A concorrência promete ser pesada, inclusive dentro da própria equipe, já que Marco Bezzecchi tenta se recuperar da sequência de azar que viveu nas últimas etapas.
Depois de um início de temporada brilhante, o #72 agora ocupa a quarta posição no campeonato. Recuperado da lesão e dos contratempos recentes, Silverstone pode ser exatamente o circuito de que precisava para recomeçar. Foi aqui que conquistou sua primeira vitória com a Aprilia no ano passado, em uma pista onde muitos dos seus principais rivais também não têm um histórico dominante.
EM ALTA: Marc Márquez e Ogura seguem crescendo
Um desses rivais é Marc Márquez (Ducati Lenovo Team). Agora totalmente inserido na disputa pelo título, o espanhol ocupa a terceira colocação na classificação. Aproveitando os tropeços dos adversários, conquistou vitórias importantes enquanto recuperava a forma física após a forte queda em Le Mans e a cirurgia adicional. Para muitos, o famoso tema de “Tubarão” já começou a tocar na garagem do #93. Mas Silverstone tradicionalmente não é um circuito dominado por ele. Afinal, as últimas 11 edições tiveram 11 vencedores diferentes, e Márquez é apenas um deles.
Essa música também parece acompanhar Ai Ogura (SuperFile Trackhouse MotoGP Team), principalmente nas voltas finais das corridas, quando seu ritmo costuma crescer e a diferença para os adversários desaparece rapidamente. Depois de dois pódios em Brno, derrotado apenas por campeões mundiais da MotoGP, veio sua primeira vitória na categoria, em Assen. Em seguida, terminou em segundo na Alemanha, atrás do agora decacampeão de Sachsenring. O japonês surge como um dos principais candidatos a se tornar o 12º vencedor diferente em Silverstone e, a apenas 14 pontos da liderança, já sonha com a ponta do campeonato. Desde Jerez, ninguém marcou mais pontos do que Ogura, com 157. Marc Márquez aparece logo atrás, com 145, enquanto Fabio Di Giannantonio (Pertamina Enduro VR46 Racing Team) soma 134 no mesmo período.
NA PERSEGUIÇÃO: Diggia lidera o grupo
Di Giannantonio é outro piloto totalmente inserido na disputa pelo título. O italiano ocupa a quinta posição, apenas 24 pontos atrás de Martín. Já venceu nesta temporada, em Barcelona, e, até a Alemanha, só havia terminado um Grande Prêmio fora do top 5 uma única vez desde a Tailândia, justamente na Hungria, quando acabou envolvido no acidente da primeira volta sem qualquer responsabilidade.
Raul Fernandez (SuperFile Trackhouse MotoGP Team) também sofreu com um pouco de azar e tentará diminuir a diferença para os líderes. Já venceu Sprints em 2026, mas ainda busca sua primeira vitória em Grandes Prêmios desde o GP da Austrália do ano passado. Está a 49 pontos da liderança. Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory Racing) aparece logo atrás, a 60 pontos, depois de uma temporada de altos e baixos desde a vitória na dramática Sprint da Tailândia. Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team), por sua vez, soma um atraso de 65 pontos. Vencedor em Silverstone em 2022, o italiano busca reencontrar a forma que o levou aos títulos mundiais. A vitória na Sprint de Brno e a sequência de quatro pódios consecutivos mostram evolução, mas Pecco quer muito mais.
SEGUNDA METADE COMEÇA AGORA
Alex Márquez (BK8 Gresini Racing MotoGP) venceu a Sprint em Silverstone no ano passado e certamente acredita que pode se tornar o 12º vencedor diferente do circuito em 12 anos. A pausa de verão serviu para se recuperar de uma sequência difícil, e o espanhol chega renovado para voltar, pelo menos, à briga pelo pódio.
Seu companheiro neste fim de semana será Iker Lecuona, que deixa temporariamente o WorldSBK para substituir o lesionado Fermín Aldeguer. Será interessante acompanhar sua adaptação a um circuito tão desafiador, depois de impressionar em Balaton Park.
Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3), outro vencedor anterior em Silverstone, também quer iniciar bem a segunda metade da temporada, assim como Brad Binder (Red Bull KTM Factory Racing), logo atrás dele na classificação. Já Maverick Viñales (Red Bull KTM Tech3), vencedor em 2016, segue em busca da melhor forma depois das dificuldades causadas pelas lesões sofridas em 2025.
NÃO DUVIDE DE MIM: Crutchlow confirmado em casa
Depois de passar a pausa de verão relaxando em seu iate de luxo na Ilha de Man, bronzeado e sem camisa, Cal Crutchlow (Castrol Honda LCR) está confirmado para disputar seu Grande Prêmio de casa enquanto Johann Zarco continua se recuperando.
Ídolo da torcida desde sua estreia e primeiro britânico a vencer uma corrida na MotoGP desde Barry Sheene, Crutchlow vem mostrando uma evolução bastante interessante neste retorno parcial às pistas. O que será que ele ainda tem reservado para Silverstone?
Do outro lado da escala de experiência está seu companheiro de equipe, Diogo Moreira (Pro Honda LCR), que também impressiona em sua temporada de estreia. O brasileiro já garantiu presenças na Q2 e frequentemente aparece como a melhor Honda do grid. Agora, o desafio é manter esse desempenho também nas corridas longas para transformar velocidade em pontos. Atualmente, ele ocupa uma posição apenas dois pontos à frente de Franco Morbidelli (Pertamina Enduro VR46 Racing Team) na classificação.
Joan Mir (Honda HRC Castrol) também busca transformar boas atuações em resultados, depois de acumular abandonos quando ocupava posições competitivas. Já Luca Marini (Honda HRC Castrol) continua sendo um exemplo de regularidade e tenta ampliar sua pontuação.
DESTINO: O TOP 10
Outro piloto que vem crescendo discretamente é Toprak Razgatlioglu (Prima Pramac Yamaha MotoGP). Depois de andar no fim do pelotão durante a pré-temporada, o turco já terminou em 11º em Balaton Park e bate à porta do top 10. Em duas ocasiões foi a melhor Yamaha do grid, o mesmo número alcançado por seu experiente companheiro Jack Miller, que também espera brilhar em Silverstone.
Alex Rins (Monster Energy Yamaha MotoGP) mostrou lampejos de evolução, mas quer resultados mais consistentes. Já Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha MotoGP) ainda guarda na memória a oportunidade perdida de vencer em Silverstone no ano passado, quando um problema técnico interrompeu sua corrida. Com a nova Yamaha V4 ainda distante da briga pelos pódios, tendo como melhor resultado um quinto lugar até aqui, dificilmente repetirá aquele desempenho, mas continua sendo o principal candidato ao posto de melhor piloto da marca japonesa. Não por acaso, é o único piloto da Yamaha a pontuar em Sprints em 2026.
Silverstone, que um dia foi um aeródromo e hoje é um dos maiores templos do automobilismo e do motociclismo, está pronta para receber mais um capítulo desta temporada histórica. Nunca a disputa pelo título esteve tão apertada e ainda há 37 pontos em jogo. Prepare-se para acelerar no Grande Prêmio Qatar Airways da Grã-Bretanha!