Ser irmão de um multicampeão mundial pode ser peso ou combustível. Para Álex Márquez, foi desafio constante. Desde cedo, aprendeu que comparação é inevitável, mas resultado é pessoal. Em 2012, apareceu no Mundial como wildcard, no mesmo ano em que conquistou o título do FIM CEV Repsol na Moto3™. Em 2013, fez sua primeira temporada completa na categoria leve com a Estrella Galicia 0,0. Venceu no Japão, subiu ao pódio outras quatro vezes, terminou em quarto no campeonato e levou o prêmio de Rookie do Ano. Não era apenas “o irmão de”. Em 2014, com a Honda desenvolvida pela HRC, deu o salto definitivo e conquistou o título mundial de Moto3™. Frio, calculista e eficiente nas corridas decisivas. A transição para a Moto2™ em 2015 e 2016 foi mais difícil. Uma lesão no braço no início de 2016 complicou o cenário, e o único pódio veio em Aragón. Mas 2017 marcou crescimento real. Três vitórias, incluindo triunfos emocionantes em Jerez e Catalunya, embora quedas tenham tirado a chance de disputar o título até o fim. Em 2018, foram seis pódios, ainda sem vitória. A constância estava ali. Faltava o passo final. Ele veio em 2019. Cinco vitórias, cinco pódios e o título mundial da Moto2™. O prêmio foi grande. Subiu direto para a MotoGP™ como companheiro de Marc no Repsol Honda Team, ocupando a vaga deixada por Jorge Lorenzo. Desafio gigantesco.
A estreia em 2020 começou sob pressão máxima. A lesão de Marc em Jerez mudou o cenário da equipe, e Álex precisou crescer rápido. Conseguiu dois pódios importantes, em Le Mans e Aragón, e terminou o ano em ascensão clara. Em 2021, já na LCR Honda, viveu temporada irregular, marcada por seis quedas. O melhor resultado foi um quarto lugar no Algarve. Fechou o campeonato em 16º. Em 2022, a nova Honda não encaixou. Não conseguiu entrar no Top 6 em nenhuma etapa. Era hora de repensar o caminho. A virada começou em 2023, com a ida para a Gresini e a Ducati GP22 campeã do mundo. Vieram dois pódios em Grandes Prêmios, incluindo segundo lugar na Malásia, além de vitória na Sprint em Silverstone. O sorriso voltou. Em 2024, permaneceu na Gresini, agora dividindo equipe com o próprio Marc. Em Sachsenring, os dois dividiram o pódio, um momento histórico para a família Márquez. O restante da temporada foi mais discreto, com oitavo lugar no campeonato. E então veio 2025. Álex superou expectativas. Venceu o GP da Espanha, somou três vitórias no total e, junto com Marc, fez história ao se tornarem os primeiros irmãos a terminar 1-2 no Campeonato Mundial de MotoGP™. Não era mais sobre comparação. Era sobre legado. Para 2026, o #73 segue com a Gresini com ambição renovada. Álex Márquez construiu cada degrau da própria trajetória. Já venceu nas categorias de base, já foi campeão mundial duas vezes e já enfrentou a pressão mais intensa que o paddock pode oferecer. Hoje, não corre à sombra de ninguém. Corre pelo que já provou que pode ser. E quando encaixa ritmo e confiança, costuma entregar mais do que muita gente espera.