300 vitórias italianas na MotoGP. Um histórico domínio da Aprilia nas quatro primeiras posições. E a primeira vitória de Marco Bezzecchi (Aprilia Racing) desde o GP da Itália. Depois de toda a confusão vivida em Mandalika no sábado, esse era exatamente o resultado de que Bezzecchi precisava para recuperar pontos importantes na disputa pelo título. O segundo lugar ficou com um heroico Raul Fernandez (SuperFile Trackhouse MotoGP Team), que subiu ao pódio apesar de estar com dois dedos fraturados, enquanto Jorge Martin (Aprilia Racing) garantiu a terceira posição e retomou a liderança do Campeonato Mundial após Marc Marquez (Ducati Lenovo Team) terminar em sexto.
A LARGADA
Ao contrário do que aconteceu na Tissot Sprint, os pilotos passaram pela curva 1 do Grande Prêmio sem incidentes. Bezzecchi mergulhou por dentro de Fernandez para tentar assumir a liderança na largada, mas o italiano abriu um pouco a trajetória na saída da curva e permitiu que o pole position recuperasse a ponta. Marc Marquez largou bem e o vencedor da Sprint apareceu em terceiro nos primeiros instantes, enquanto Fermin Aldeguer (BK8 Gresini Racing MotoGP), vencedor na Indonésia em 2025, superou Martin para assumir a quinta posição e, depois, ultrapassou Fabio Di Giannantonio (Pertamina Enduro VR46 Racing Team) para chegar ao quarto lugar.
Martin também ultrapassou Di Giannantonio e avançou para quinto, antes de Aldeguer, que havia largado tão bem, cair na traiçoeira curva 16, na segunda volta. Com isso, Martin herdou a quarta posição, mas a ultrapassagem que viria meia volta depois não seria tão simples.
Martin atacou Marc Marquez por dentro na curva 10 e colocou sua Aprilia à frente do rival na disputa pelo título. O espanhol assumiu a terceira posição, deixando Marquez em quarto, agora sob pressão de Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory Racing), que perseguia o líder do Campeonato antes da corrida. Na quarta volta, Acosta registrou a volta mais rápida do Grande Prêmio.
ACOSTA CONTRA MM93, BEZ SEGUE FERNANDEZ DE PERTO
A ultrapassagem parecia questão de tempo, e Acosta finalmente atacou o líder do Campeonato. Companheiros de equipe no próximo ano, mas sem qualquer colaboração entre eles nesta temporada. Acosta mergulhou na curva 10, freando muito tarde, e executou uma ultrapassagem perfeita. O #37 chegou a perder a estabilidade da dianteira na curva 11, mas conseguiu manter a quarta posição, empurrando Marc Marquez para quinto e deixando o #93 ao alcance de Di Giannantonio.
Na frente, Fernandez mantinha Bezzecchi a 0,5s de distância, enquanto Martin rodava 1,9s atrás da roda traseira da Michelin de seu companheiro de equipe. As posições permaneceram inalteradas por algumas voltas, até Bezzecchi registrar a volta mais rápida do Grande Prêmio, com 1:29.991, e começar a pressionar Fernandez. A diferença caiu para apenas 0,4s, enquanto Martin já estava 2,5s atrás.
Na volta 13, Marc Marquez voltou a superar Acosta. Pelas imagens da televisão, parecia que Acosta havia sido obrigado a deixar seu futuro companheiro de equipe passar, o que indicava possíveis problemas com a pressão dos pneus do piloto da KTM. Duas voltas depois, porém, as posições se inverteram novamente na curva 10. Será que agora era Marc Marquez quem enfrentava problemas com a pressão dos pneus? Impressionante.
BEZ ASSUME A PONTA ENQUANTO A BRIGA PELO QUARTO LUGAR PEGA FOGO
De volta à frente da corrida. Na 19ª das 27 voltas, a liderança mudou de mãos pela primeira vez desde a curva 1 da volta inicial. Bezzecchi ultrapassou Fernandez e assumiu a ponta, tirando a primeira posição do piloto da Trackhouse. Na mesma volta, o italiano ainda registrou mais uma volta mais rápida do Grande Prêmio. Fernandez abriu um pouco a trajetória na curva 1 depois da ultrapassagem, permitindo que Bezzecchi abrisse imediatamente 1,4s de vantagem. Martin seguia isolado em terceiro, 2,4s atrás de Fernandez e com 5,7s de vantagem sobre a disputa de tirar o fôlego entre Acosta, Marc Marquez e, agora, Ai Ogura (SuperFile Trackhouse MotoGP Team).
E o japonês não demorou a atacar. Na volta 21, Ogura ultrapassou Marc Marquez na curva 16, empurrando o #93 para sexto, e passou a mirar Acosta. Mais à frente, seu companheiro de equipe não dava a Martin qualquer chance de se aproximar da segunda posição. Fernandez se esforçava ao máximo para manter a vantagem sobre o espanhol, enquanto Ogura conseguia superar Acosta.
Mas Acosta não entregou a posição sem reagir. O piloto da KTM devolveu a ultrapassagem na curva 13, mas Ogura recuperou a posição na curva 16. Os dois precisavam tomar cuidado para não perder muito tempo nessa disputa, porque o #93 estava à espreita.
APRILIA CONQUISTA HISTÓRICO 1-2-3-4
Chegava a última volta na Indonésia. Com 3,3s de vantagem, Bezzecchi pôde administrar o ritmo até a bandeirada para conquistar uma vitória fundamental, sua primeira desde Mugello, e manter vivas suas chances, ainda que pequenas, de lutar pelo título.
Tiramos o chapéu para Fernandez. Com não apenas um, mas dois dedos fraturados na queda durante a Sprint de sábado, o espanhol superou todas as dificuldades para conquistar o segundo lugar na Indonésia. Quem também tirou o máximo proveito do domingo foi Martin, novamente líder do Campeonato. A diferença é de dois pontos, exatamente como estava antes do fim de semana. Os 16 pontos conquistados por Martin foram fundamentais em Mandalika. E quem completou o primeiro 1-2-3-4 da história da Aprilia na MotoGP foi Ogura, que conseguiu segurar Acosta até o fim do Grande Prêmio. Que dia para a fábrica de Noale.
QUEM PONTUOU NA INDONÉSIA
Acosta terminou a apenas um décimo de Ogura, conquistando um quinto lugar muito disputado em Mandalika. Pouco mais de um segundo atrás dessa batalha veio Marc Marquez. O sexto lugar na bandeirada fez o #93 cair para a segunda posição na disputa pelo título, mas o heptacampeão mundial de MotoGP certamente teria aceitado uma desvantagem de apenas dois pontos no início do fim de semana. Por quê? Porque ele nunca havia sequer terminado um Grande Prêmio na Indonésia. E, diante da superioridade da Aprilia em Mandalika, sair daqui sem perder terreno para Martin representa um bom resultado antes da viagem a Phillip Island.
Alex Marquez (BK8 Gresini Racing MotoGP) e Di Giannantonio cruzaram a linha de chegada em sétimo e oitavo, com o italiano conseguindo segurar por muito pouco Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha MotoGP), que terminou em nono. Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3) ficou com a décima posição, enquanto os demais pontos foram conquistados por Brad Binder (Red Bull KTM Factory Racing), em 12º, Johann Zarco (Castrol Honda LCR), em 13º, Franco Morbidelli (Pertamina Enduro VR46 Racing Team), em 14º, e Alex Rins (Monster Energy Yamaha MotoGP), em 15º.
PRÓXIMA PARADA: PHILLIP ISLAND
A Indonésia teve sua boa dose de reviravoltas. E, enquanto nos preparamos para nossa última visita à belíssima Phillip Island, a disputa pelo título segue completamente aberta. Apenas dois pontos separam Martin e Marc Marquez, enquanto Bezzecchi, que corre por fora nessa briga, está a 46 pontos da liderança. Uma disputa que promete.
Até breve, Austrália.
Resultados do Grande Prêmio da Indonésia de MotoGP!